Covid-19

Relatório sobre lar de Reguengos enviado à PGR foi feito antes da pandemia

Relatório sobre lar de Reguengos enviado à PGR foi feito antes da pandemia

O documento que a ministra da Segurança Social, Ana Mendes Godinho, enviou à Procuradoria-Geral da República - quando o lar de Reguengos contabilizava já 17 óbitos - foi elaborado com base numa visita técnica feita a 11 de março. António Costa disse ter havido um "inquérito", mas houve apenas um relatório a dar conta de que o lar cumpria os requisitos legais em matéria de recursos humanos.

O relatório elaborado pela Segurança Social sobre a situação do lar de Reguengos de Monsaraz foi baseado em informações recolhidas pelos fiscais numa visita realizada a 11 de março, ainda antes de ter sido decretada a situação de emergência e dos problemas de contágio que a covid-19 gerou na instituição.

Segundo avança o jornal Expresso, foi esse documento - que é apenas um relatório e não um "inquérito", como afirmou António Costa - que a ministra da Segurança Social, Ana Mendes Godinho, enviou para a Procuradoria-Geral da República (PGR) numa altura em que a Fundação Maria Inácia Perdigão Vogado da Silva, em Reguengos de Monsaraz, contabilizava já 17 óbitos por covid-19.

No momento em que a visita dos fiscais foi efetuada, não foi detetada qualquer irregularidade, apenas pequenas falhas, sendo que o lar cumpria a lei em termos de recursos humanos. Os técnicos só assinalaram um "défice de ajudantes de cozinha".

Entretanto, a 14 de agosto, na polémica entrevista em que Ana Mendes Godinho afirmou ao Expresso não ter lido o relatório da Ordem dos Médicos sobre o lar de Reguengos, a ministra da Segurança Social disse ainda ter pedido aos serviços do ministério não um inquérito mas apenas "informação e análise sobre toda a situação e sobre todo o histórico" da instituição.

Dias depois, também em entrevista ao semanário, o primeiro-ministro sublinhou que "no dia 12 de julho, [a ministra] mandou abrir um inquérito; recebeu-o no dia 14 e no dia 16 comunicou ao Ministério Público". Questionado em relação ao facto de as suas palavras não corresponderem ao que havia sido dito por Ana Mendes Godinho, Costa respondeu: "pois, não sei. Acho que tive mais sorte do que vocês na pergunta que fiz à ministra".

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