Política

Rio acusa Costa de "ingratidão" com o Bloco de Esquerda

Rio acusa Costa de "ingratidão" com o Bloco de Esquerda

"Não devemos andar na política à espera de gratidão, mas a ingratidão não é uma coisa bonita. Agora [António Costa] já não precisa do Bloco de Esquerda e já pode dizer o que lhe apetece. Depois de quatro anos de "geringonça", em que o Bloco foi um partido fundamental, vira-lhe as costas", apontou Rui Rio, esta tarde de sábado, durante uma visita à 40.ª edição da Feira Agrícola Agrival, em Penafiel.

O presidente do PSD comentava uma entrevista de António Costa ao jornal Expresso. Questionado sobre se o facto de o recandidato a primeiro-ministro falar pouco do PSD seria uma intenção de desvalorizar o partido, o social-democrata apresentou outra leitura.

"Acho que houve uma outra intenção, a de combater o Bloco de Esquerda", sustentou, falando de uma tática política de quem está com medo de perder votos. "As guerras entre o PS e o BE não são comigo, mas o que pessoalmente não acho bonito é fazer o que está a fazer o PS, que andou com o Bloco de Esquerda de braço dado durante quatro anos e agora que está com medo que os votos da esquerda fujam para o Bloco de Esquerda está a atacar o Bloco e há assim um divórcio violento por causa das eleições", afirmou Rui Rio aos jornalistas. "Se vira costas ao Bloco de Esquerda amanhã vira costas a outro qualquer", frisou o líder social-democrata.

Rio alegou ainda que o PSD e ele próprio têm uma postura diferente. "Não se viu o PSD e o CDS há turra e à massa. Há esse respeito", deu como exemplo.

As declarações do presidente do PSD surgem depois de António Costa, em entrevista ao semanário Expresso, ter alegado que um Partido Socialista fraco e um Bloco de Esquerda forte significaria a "ingovernabilidade". "Todos devemos olhar para Espanha e perceber os riscos que pode ser um PS fraco e um Podemos forte - significa a ingovernabilidade e a impossibilidade de haver uma solução governativa feliz", comparou. Na mesma entrevista, o primeiro-ministro, que formou Governo em 2015 graças a uma aliança com o Bloco e o PCP, disse ainda que o BE "vive na angústia de ter de ser notícia", enquanto o PCP, tem outra "maturidade institucional".