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Rio desafiado a ter candidatura forte contra "afilhado" de Costa

Rio desafiado a ter candidatura forte contra "afilhado" de Costa

O presidente do PSD foi desafiado por Sofia Vala Rocha, autarca em Lisboa, a arranjar uma "candidatura ganhadora" contra o "afilhado" que António Costa deixou na Câmara da capital, Fernando Medina.

Sofia Vala Rocha pediu, este sábado, em Viana do Castelo, que Rui Rio pense numa "candidatura ganhadora" para acabar com o poder socialista em Lisboa, cuja Câmara foi ganha pelo PS em 2007, numas eleições intercalares.

A autarca, que é vereadora em substituição na Câmara Municipal de Lisboa (CML), foi uma das maiores críticas de Teresa Leal Coelho, a aposta de Passos Coelho em Lisboa nas autárquicas de 2017, que teve o pior resultado de sempre do partido na capital.

Segundo Vala Rocha, António Costa "pôs os portugueses a pagar" não só um rasto de dívida que deixou na autarquia, na ordem dos 300 milhões de euros, como ainda outros 700 milhões de euros para conseguir dar ao "afilhado" Fernando Medina "uma vitória", em 2017, aludindo aos negócios da permuta do Parque Mayer pelos terrenos da Feira Popular e à municipalização da Carris.

Aliás, a autarca, que recentemente foi candidata à presidência da Distrital de Lisboa e perdeu, contradisse a tese que Rui Rio trouxe na abertura do congresso, onde disse que "não foi a câmara de Viana, Ponte de Lima, Monção que endividaram o país, nem tão pouco a Câmara do Porto, nem a de Lisboa ou de Loures. Foi o centralismo".

"Disse que a Câmara Municipal de Lisboa não endividou o país, Mas endividou, endividou", apontou Vala Rocha. "O primeiro-ministro António Costa já foi presidente da Câmara Municipal de Lisboa. E o que ele fez para ser presidente em 2007, nas eleições intercalares, foi arranjar uma dívida de 300 milhões de euros, para fazer uma coisa que ele tanto gosta - a fazer uma reversão. Foi assim que ganhou a Câmara de Lisboa em 2007, reverteu o negócio do Parque Mayer", acrescentou.

A social-democrata disse que Costa, "hoje, em dia, como primeiro-ministro, mandou colocar no Orçamento do Estado uma provisão de 300 milhões de euros para pagar essa conta, que ainda não está paga". "São os portugueses que vão pagar 300 milhões de euros por um processo que, 13 anos depois, como primeiro-ministro vai pôr a pagar por essa vitória", defendeu, frisando que "não foi caso único".

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Tribunal de Contas "silenciado"

"Quando saiu da Câmara, [António Costa] deixou um afilhado, Fernando Medina. Em 2017, António Costa, primeiro-ministro, passou a carne do lombo a Fernando Medina: deu-lhe a Carris limpinha, sem um tostão da dívida de 700 milhões de dívida, que ficaram no Orçamento [do Estado", apontou, acrescentando que o autarca do PS ganhou há dois anos porque, sendo "pela primeira vez candidato, tinha de mostrar alguma coisa". "[Por isso], recebeu de presente de António Costa uma Carris limpa de dívidas. E foi com isto que foi às autárquicas e venceu. Foi a segunda vez que os portugueses vão pagar a dívida da CML", prosseguiu.

Vala Rocha disse que a mão de Costa a Medina "não acaba" naqueles dois casos. "Medina tinha a Carris mas não chegava, prometeu cinco mil casas, em renda acessível. Era uma PPP [Parceria Público-Privada]. O Tribunal de Contas, em janeiro de 2019, veio dizer o que entrava pelos olhos de toda a gente: era ilegal, era nulo, violava o interesse publico. Sabem o que Fernando Medina fez? Pediu ao padrinho: muda a lei das PPP no Parlamento. O Tribunal de Contas foi silenciado", contou.

"Feira Popular, Carris, Casas em PPP: tudo para ganhar eleições, tudo para dificultar a vida do contribuinte. A Câmara de Lisboa endividou e muito os portugueses", concluiu.

Na verdade, António Costa quando chegou à Câmara de Lisboa, saído do Governo de José Sócrates, encontrou a autarquia com as contas em muito mau estado. O passivo deixado por Carmona Rodrigues [PSD/CDS] ascendia a cerca de 1.400 milhões de euros e havia fornecedores a bater à porta do município a exigirem mais de 450 milhões em dívida. Depois, a dívida imediata era de 380 milhões de euros. A corda na garganta não se ficava por aí: os montantes da dívida a médio e longo prazo ultrapassavam os 580 milhões euros.

Quando saiu da Câmara, deixando Medina no seu lugar, para liderar o PS e apresentar-se às legislativas de 2015, Costa orgulhava-se de ter reduzido consideravelmente a dívida. Uma das maiores fatias foi proporcionada pela alienação da propriedade dos terrenos do aeroporto, aquando da privatização da ANA pelo Governo de Passos Coelho.

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