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Rio diz ser muito difícil viabilizar Orçamento mas não dá certezas

Rio diz ser muito difícil viabilizar Orçamento mas não dá certezas

Rui Rio considera "muito difícil" que o PSD venha a viabilizar o Orçamento do Estado (OE) para 2020. Porém, não fecha já a porta. "É muito pouco provável que colha o apoio do PSD, colhendo ao mesmo tempo o apoio do BE e do PCP", afirmou num debate com os outros dois candidatos à liderança. E insistiu: "é quase impossível, mas quero ver o documento". Por sua vez, Luís Montenegro recusa aceitar qualquer Orçamento do PS e Miguel Pinto Luz, embora concordando com Rio que é preciso esperar para ver, prevê um mau OE.

O posicionamento face ao PS foi um dos temas mais quentes do debate na RTP1. Luís Montenegro diz que os eleitores "não olharam para o PSD como verdadeira alternativa" e "apresentou-se como uma espécie de PS número dois". E, após Rio voltar a lamentar "o clima de guerrilha interna permanente", o ex-deputado respondeu que "a desculpa esfarrapada não colhe".

Contra o "bota-abaixo"

Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara de Cascais, acusou o atual líder de ter optado por "uma estratégia de subalternização ao PS" e de "estar contra tudo e contra todos". E "das duas vezes que se aproximou do PS correu bem", acusou, apontando a descentralização e os fundos estruturais.

Porém, questionado sobre se viabilizaria o OE, não foi tão definitivo quanto Montenegro, embora descrente. "Admito viabilizar qualquer Orçamento que seja bom" para o país, mas "não acredito que Costa apresente um OE bom para os portugueses, tinha de arrepiar caminho". De Montenegro disse discordar por crer que o PSD não deve ter uma atitude "permanente de bota-abaixo só porque vem do PS". Pinto Luz disse ser "menos otimista" do que Rio nos acordos de regime, mas explicou que os defende, por exemplo, no Ambiente. Mas "o PSD perdeu o ímpeto reformista".

Montenegro esclareceu depois que não defende que se deva votar "contra tudo só porque vem do PS". Mas "é o PS que não quer fazer entendimentos estruturais" com o PSD, ressalvou. No Orçamento, reafirmou o que já vem dizendo. "Comigo não há nenhuma negociação com o PS. Nem vamos viabilizar nenhum OE porque é o instrumento principal de prossecução" do programa deste Governo, declarou na RTP1.

Já Rio insistiu ontem numa "oposição construtiva", exemplificando que "o sistema político só se consegue rever com PS e PSD".

O atual líder respondeu ainda aos dois adversários, que o têm acusado de não ter condições para continuar após as derrotas nas europeias e legislativas. "Foi duas vezes candidato a Espinho e não conseguiu ganhar", disse a Montenegro". Ao "vice" de Cascais, que liderou a distrital do PSD, atirou à cara os maus resultados em concelhos da Grande Lisboa.

Candidatos dizem não pertencer à maçonaria

"Os dois são conhecidos como sendo da maçonaria", disse o líder a Montenegro e Pinto Luz, após ser instado sobre o seu objetivo de livrar o PSD de "grupos obscuros". No pós-25 de Abril, Rio estranha "a necessidade de haver associações com secretismo". "Saí há mais de 10 anos. Não pertenço desde que tenho cargos públicos", respondeu Pinto Luz. E Montenegro negou ter alguma vez pertencido.