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Rio quer subida de salários devido à inflação, Costa não se compromete

Rio quer subida de salários devido à inflação, Costa não se compromete

O líder do PSD, Rui Rio, desafiou o Governo a rever o aumento do salário mínimo para ter em conta a inflação. O primeiro-ministro, que disse estar convicto de que a subida de preços é "passageira", remeteu a decisão para uma "avaliação conjunta" com os parceiros sociais. A Esquerda também considerou que o Executivo não está a dar a resposta necessária à escalada inflacionista.

Rio lembrou que, durante a campanha eleitoral, tinha defendido que o salário mínimo deveria subir de acordo com a inflação e a produtividade. Nesse sentido, e uma vez que a inflação "já passou 5% em Portugal e 7% na Zona Euro", perguntou se o Governo irá rever o aumento do salário mínimo.

"Se não ajustar, tiramos uma conclusão óbvia: enganou as pessoas, independentemente de alguns até gostarem de ser enganados", insistiu o presidente laranja, recordando que os aumentos previstos na Função Pública são de apenas 0,9%.

Na resposta, o primeiro-ministro alegou que a inflação é "passageira" e "transitória". "É uma inflação importada que tem, tendencialmente, uma natureza conjuntural e causas bem precisas. A melhor forma de proteger o poder de compra das famílias é atacar os problemas pela raiz", afirmou, aludindo ao pacote de medidas que o Executivo apresentará na sexta-feira.

"Como é que devemos ajustar a política de rendimentos? É algo que temos de ir acompanhando e negociando com os parceiros sociais ao longo deste ano", prosseguiu Costa. Pouco depois, o chefe do Governo revelaria também que o Orçamento do Estado será apresentado "para a semana".

PCP e BE querem salários a acompanhar inflação

À Esquerda, os efeitos da inflação também preocupam. O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, exortou o Executivo a avançar com o aumento do salário mínimo para 850 euros, pedindo que, "pelo menos, reponha o poder de compra aos pensionistas que a inflação colocou em causa".

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"Nenhuma das opções do Programa do Governo espanta", prosseguiu Jerónimo, pedindo que Costa coloque "um travão ao aumento do custo de vida".

Catarina Martins, coordenadora do BE, exemplificou com a história da "professora Joana", que ganha 1000 euros, paga 450 de renda em Lisboa, gasta 80 no passe dos transportes e, como é "muito poupada", despende 120 nas contas da luz e da água.

"Fica com 350 euros", realçou a bloquista, vincando que esta quantia "já não chegava no ano passado mas, entretanto, os produtos básicos subiram três vezes mais do que o salário". Ao recusar rever os aumentos, "este Governo acaba de abandonar todas as pessoas que vivem do seu salário em Portugal", frisou.

Chega diz que Costa "ignora inflação", IL ironiza: "Agora é que vai ser"

À Direita, o líder do Chega, André Ventura, acusou o Governo de ter elaborado um programa que "ignora a inflação". Também desferiu um ataque à escolha dos ministros, nomeadamente à inclusão de Fernando Medina - devido ao episódio de fornecimento de dados de manifestantes à Rússia - e à de Pedro Adão e Silva - que "escreveu a moção de Sócrates em 2009".

Já João Cotrim Figueiredo, líder da IL, centrou-se nos pedidos de "reformas estruturais" no país, nomeadamente no SNS, na Justiça ou num sistema fiscal que os liberais consideram "opressivo".

Considerando que o Governo "propõe Estado em todo o lado e não tira Estado de lado nenhum", Cotrim realçou que o país tem sido ultrapassado pelos países do Leste em termos de crescimento. A esse respeito, acusou o Executivo de não ter mais nada a dar aos portugueses a não ser dizer-lhes que "agora é que vai ser".

Costa fica "quatro anos e seis meses" e ironiza com Rio

Antes, o líder do PSD tinha decidido levar também o tema da TAP à discussão. "É uma empresa que, desde o 25 de Abril, tem andado de mão estendida e ainda agora vai receber mais 3,2 mil milhões de euros, numa orgia financeira que dá 320 euros a cada português", acusou Rio, referindo que a companhia cortará mais sete destinos e 700 mil lugares no Porto.

Costa usou da ironia: "Ao ouvir o fervor com que voltou do debate da campanha eleitoral, fiquei com sensação de que queria uma segunda volta das eleições. Ó dr. Rui Rio, a ver o bom exemplo do que conseguiu na segunda volta do círculo da Europa vamos a isso", atirou, aludindo ao facto de o PSD ter perdido um deputado na repetição das eleições no referido círculo.

O primeiro-ministro insistiu na ironia face a Rio, acabando por admitir, pela primeira vez, que não sairá para um cargo europeu antes do fim da legislatura, como o presidente da República disse recear.

"Começo a perceber porque vai adiando as eleições internas no seu partido, a ver se ainda quer ir a uma segunda volta comigo. Eu estarei cá mais quatro anos e seis meses à espera de si, tem tempo de ir e voltar e eu ainda cá estarei".

Minutos depois, em resposta a Jerónimo de Sousa, Costa repetiria o sinal, ao referir que prosseguirá o trabalho iniciado "até outubro de 2026".

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