Belém

Rio só assume "quota parte" da culpa na derrota do PSD nas Europeias

Rio só assume "quota parte" da culpa na derrota do PSD nas Europeias

O líder do PSD considera que as culpas pela derrota do PSD nas Europeias de 6 de maio são "repartidas" e assume apenas uma "quota parte" da responsabilidade pelo facto de o partido ter ficado abaixo dos 22%. Sobre notícias que dão conta de ter responsabilizado o cabeça de lista, Paulo Rangel, a oposição interna e os jornalistas pelo desaire, diz que são "50% mentira".

"É evidente que se eu sou líder do partido e o partido vai a eleições e tem um dado resultado, bom ou mau, eu tenho uma quota parte de responsabilidade grande. Isso é evidente. Só se eu tivesse perdido o juízo é que não dizia uma coisa destas", afirmou aos jornalistas, à saída de Belém, após uma audiência com Marcelo Rebelo de Sousa

"Agora também não sou hipócrita ao ponto de dizer a culpa é toda minha. Fica bem dizer, mas não é. É repartida e a minha também lá está, como é lógico", disse, insistindo em repartir as culpas pelo resultado, mas sem atribuir nomes aos culpados.

Confrontado com notícias que vieram a público nos jornais "Expresso" e "Público", sobre um encontro com os líderes distritais onde terá apontado o dedo ao desempenho do cabeça de lista, Paulo Rangel, aos críticos internos e aos jornalistas pelos desaire eleitoral, Rio optou por desvalorizar o seu conteúdo. "O que vem nas duas notícias, que eu penso que são duas notícias muito cirúrgicas, com jornalistas cirúrgicos, é metade verdade e metade mentira", apontou, escudando-se no facto de ser uma reunião à porta fechada para revelar o que disse lá dentro.

"A reunião das distritais é uma reunião fechada, não é para as conclusões virem a público. As conclusões não vêm a público, nem as conclusões vieram a público. Aquilo que veio a público é 50% verdade e 50% mentira, sendo que a parte que é mentira, quem passou a mentira tinha interesse que ela fosse dita assim", defende o líder do PSD.

Questionado sobre se falou com o presidente da República sobre o seu alerta para o risco de uma alegada crise da Direita nos próximos anos, Rio confirmou que esse foi um dos temas do encontro, mas abriu o leque da crise e até encontrou alguma proximidade com as palavras de Marcelo.

"Falámos sobre isso, aquilo que é a nossa leitura não é assim tão distante daquilo que é a leitura do Presidente da República", afirmou. "Se nós dissermos que há uma crise na direita, ponto final, essa não é a minha leitura, mas também não é exatamente aquilo que ouvi o presidente dizer", acrescentou.

"Há efetivamente uma crise do regime, que incide sobre o sistema político, que incide sobre os partidos todos, à Direita e à Esquerda e esta é a minha visão", explicou, negando que só a Direita tenha sido penalizada nos resultados das europeias de 6 de maio.

"Se souber fazer contas, as coisas não são assim", disse, insistindo que "gerou-se uma dinâmica, parecendo que o PS teve um grande resultado", o que não sucedeu, falando numa "vitória por poucochinho".

"Não estou a dizer com isto que o resultado foi bom para o PSD. Não foi bom para o PSD. Mas uma coisa é não ser bom para o PSD, outra coisa é fazer de uma vitória do PS uma grande vitória. Não foi uma grande vitória: 33% não é uma grande vitória. É também uma vitória por poucochinho".