Nacional

Rio sugere que PS pode ter "receio" de que autarca de Setúbal "acabe por implicar" Governo

Rio sugere que PS pode ter "receio" de que autarca de Setúbal "acabe por implicar" Governo

O presidente do PSD colocou esta sexta-feira a hipótese de o PS ter recusado ouvir no Parlamento o presidente da Câmara de Setúbal sobre o acolhimento de refugiados ucranianos por russos por receio de que este "acabe por implicar" o Governo.

"Não se entende, não consigo mesmo entender, a não ser que tenha receio de que o presidente da câmara de Setúbal, ao começar a esclarecer, acabe a implicar alguma coisa ligada ao Governo ou ao PS, só se for isso", respondeu Rui Rio, no Porto, quando questionado sobre a recusa dos socialistas em ouvir o autarca na Assembleia da República (AR).

O líder social-democrata lembrou que o PS teve uma posição diferente quando foi a Câmara de Lisboa, presidida na altura por Fernando Medina, a ser acusada de partilhar dados de manifestantes russos com a Rússia.

"Sinceramente não entendo (...) principalmente [porque] quando foi a questão também dos dados enviados, o evento denunciado à Rússia pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), o PS teve uma atitude exatamente ao contrário. Não disse que é a Assembleia Municipal de Lisboa que tem que tratar, disse, sim senhor, o dr. Fernando Medina, na altura presidente da CML, tem que vir aqui responder e ele foi", lembrou.

"Se o presidente da CML foi na altura responder por aquilo, este não vai por uma coisa, que a existir, ainda é mais grave", questionou.

Questionado sobre se achava que era uma questão de encobrimento, Rui Rio afirmou que pode achar que sim: "Eu não sei o que hei achar, mas posso achar isso [que é uma questão de encobrimento] e posso achar porque é tão absurdo que eu não sei o que achar", respondeu.

PSD insiste em exigir explicações de Costa

PUB

O líder social-democrata considerou antes que o primeiro-ministro não violará o segredo de Estado se esclarecer se recebeu ou não relatórios das "secretas" sobre russos que acolheram refugiados em Setúbal, senão o Presidente da República "teria cometido um crime".

"Eu perguntei se recebeu ou não recebeu relatórios no sentido de alertar para o facto de haver um cidadão russo que estava a receber refugiados e a passar informação (...). Se é crime responder à pergunta se recebeu o relatório ou não, dizer sim ou não, se isso fosse verdade então o Presidente da República, ele próprio, teria cometido um crime ao dizer que não recebeu. Portanto, não faz sentido e [o Presidente da República] não cometeu crime nenhum, como é lógico", afirmou Rio.

O líder social-democrata respondia a questões sobre a justificação do primeiro-ministro para recusar dizer se recebeu relatórios dos serviços de informações sobre uma cidadão russo envolvido no acolhimento de ucranianos em Setúbal e sobre quem recaem suspeitas de ter partilhado informações com o regime de Moscovo.

"Uma coisa é o que o senhor primeiro-ministro refere relativamente ao segredo de Estado, outra coisa é dar resposta aquilo que eu pergunto, que não implica nenhuma violação do segredo de Estado", sustentou.

Segundo Rui Rio, "a resposta que o senhor primeiro-ministro dá está muito longe de ser aquilo" que lhe perguntou.

"O que eu perguntei vem no quadro da fiscalização que a Assembleia da República e os partidos da oposição devem fazer àquilo que é a atuação do Governo. Aquilo que nós pretendemos saber é se o Governo foi diligente ou não, portanto, se o Governo tinha a informação ou não tinha informação e se tinha informação porque é que atuou ou não atuou", apontou.

Questionado sobre a possibilidade de ser feito um inquérito parlamentar à questão, o presidente do PSD não põe para já essa hipótese: "Eu custa-me muito banalizar os inquéritos parlamentares, é uma posição de principio. Vamos ver como é que as coisas evoluem e vamos ver se mais à frente isso se possa justificar", respondeu.

Para Rui Rio, as diligências já efetuadas no sentido de esclarecer o que aconteceu em Setúbal já deram algumas respostas, embora tenha adiantado quais.

"Já houve uma serie de audições na primeira comissão, umas à porta aberta. outras com aporta fechada que vieram já elucidar algumas coisas. Aquelas que foram À porta fechada elucidaram coisas que foram à porta fechada, mas elucidaram", afirmou.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG