Pandemia

"Ritmo feroz" e "galopante" da propagação da ómicron preocupam Mundo

"Ritmo feroz" e "galopante" da propagação da ómicron preocupam Mundo

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alerta para o "ritmo feroz" de propagação da variante ómicron. Do outro lado do Atlântico, os EUA advertem para o crescimento galopante desta estirpe, que preocupa os países mais ricos.

A Organização Mundial da Saúde alertou, na terça-feira, para a propagação muito rápida, a um ritmo sem precedentes, da variante ómicron do coronavírus que causa a covid-19. No dia seguinte, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças considerou que a nova estirpe do vírus SARS-CoV-2 representa um risco "muito elevado" e exige medidas "urgentes e fortes", de modo a proteger os sistemas de saúde.

Quinta-feira à noite, os ministros da Saúde dos sete países mais ricos do Mundo (G-7), reconhecendo a gravidade da situação, apelaram à cooperação entre nações face à evolução da variante ómicron do novo coronavirus, que qualificaram como "a maior ameaça atual à saúde pública mundial".

No final da última reunião durante a presidência britânica do G-7, os ministros da Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido declararam-se "profundamente preocupados pelo aumento do número de casos" da variante.

Em comunicado, consideraram "mais importante do que nunca cooperar estreitamente", bem como "vigiar a partilhar informação". Sublinhando que o facto de "trabalhar em conjunto é crucial face à vaga de ómicron que cresce rapidamente", insistiram na importância de "um acesso equitativo aos diagnósticos, à sequenciação do genoma", bem como às vacinas e aos tratamentos.

Biden fala em propagação galopante

Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, juntou-se ao coro de preocupação e alertou na quinta-feira que a nova variante da covid-19 vai "começar a circular muito mais rapidamente", exortando os norte-americanos a vacinarem-se ou receberem a dose de reforço.

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É "da maior importância" os vacinados receberem uma dose de reforço e os restantes "receberem a primeira dose", vincou Biden, citado pela agência AFP.

Momentos antes, a subsecretária de imprensa da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, tinha apontado que a Administração de Biden não pretende, por agora, tomar medidas restritivas específicas, mas ao invés concentrar-se na vacinação.

"As ferramentas que temos estão a funcionar", salientou, acrescentando que o Governo vai "continuar a trabalhar para que os norte-americanos sejam vacinados e tomem as doses de reforço".

Espalha-se a ritmo feroz mas UE está melhor que há um ano

A vacina é a arma esgrimida pela União Europeia para apelar à calma quando mal se ouve o que diz no meio do turbilhão. Uma nova variante, a ómicron, classificada como "preocupante" pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foi detetada na África Austral, mas desde que as autoridades sanitárias sul-africanas deram o alerta, a 24 de novembro, foram notificadas infeções em pelo menos 77 países de todos os continentes, incluindo Portugal.

"Mesmo quando lutamos ainda contra a delta, sabemos que a variante ómicron está realmente a ameaçar-nos, está a espalhar-se a um ritmo feroz e tem potencialmente o risco de escapar às nossas vacinas. [Além disso], pelo menos parcialmente, sabemos que os nossos sistemas de saúde estão sobrecarregados neste momento e isto está em parte ligado ao grande número de pacientes não vacinados", ilustrou a líder do executivo comunitário, falando em conferência de imprensa, em Bruxelas.

Em declarações prestadas após um Conselho Europeu - que durou mais de 14 horas - dominado em parte pela degradação da situação epidemiológica da covid-19, e numa altura de elevados contágios, a responsável vincou que "a resposta só pode ser aumentar a vacinação, nomeadamente para incluir crianças com mais de cinco anos de idade, e adotar medidas de proteção".

Ainda assim, "também há esperança", destacou Ursula von der Leyen, sublinhando que a UE está hoje "numa posição muito melhor do que no ano passado", nomeadamente por mais de 67% da população total ter já o esquema de vacinação completo, quando há um ano as vacinas ainda estavam a chegar ao espaço comunitário.

Além disso, também a capacidade de produção aumentou, acrescentou a responsável, precisando ser agora possível "produzir 300 milhões de doses de vacinas por mês na UE".

Tal como tem sucedido há quase dois anos, desde que a covid-19 atingiu a Europa no primeiro trimestre de 2020, a resposta da UE à pandemia voltou hoje a ser um dos assuntos dominantes da cimeira de chefes de Estado e de Governo dos 27, quando muitos Estados-membros voltaram a impor restrições para conter a propagação do vírus e que a nova variante Ómicron já foi detetada em vários países europeus, incluindo Portugal.

Falando sobre a necessária adaptação das vacinas para combater as variantes mais contagiosas, Ursula von der Leyen anunciou que os Estados-membros concordaram "desencadear uma primeira parcela de mais de 180 milhões de doses extra de vacinas adaptadas naquele que é o terceiro contrato com a BioNTech/Pfizer".

O objetivo é, desde logo, que todas as farmacêuticas com as quais a UE tem contratos assinados desenvolvam estas vacinas adaptadas "no prazo de 100 dias", prazo após o qual o regulador europeu - a Agência Europeia de Medicamentos - "utilizará o procedimento mais simplificado possível para avaliar qualquer desenvolvimento", referiu.

No que toca às doses já entregues aos 27, Ursula von der Leyen adiantou que "a Comissão cumpriu os seus compromissos de fornecer aos Estados-membros milhões de doses para levar a cabo as campanhas de vacinação".

"Na verdade, são mais de mil milhões de doses entregues, e continuamos a encorajar os Estados-membros a encomendar as quantidades necessárias para os meses que se seguem", salientou, numa alusão também às doses de reforço.

Precisamente sobre as doses de reforço, serão agregadas às informações do Certificado Digital Covid-19 da UE, indicou a presidente da Comissão Europeia, anunciando um ato delegado (que atualiza legislação europeia) sobre esta matéria e os prazos associados (serão agora nove meses).

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