Covid-19

Os dois Fernando Rocha foram de covid-19 negativo a positivo em 24 horas

Os dois Fernando Rocha foram de covid-19 negativo a positivo em 24 horas

Humorista e vereador de Matosinhos já recuperaram e são dois exemplos de infetados pelo coronavírus cujo teste deu resultados opostos num ápice.

Há dois Fernandos Rochas que chegaram a testar negativo para a covid-19, para voltar a testar positivo no dia seguinte, o humorista e o vereador de Matosinhos. A situação não é rara. Já vários doentes do Hospital de São João, dados como recuperados após dois testes negativos num intervalo 24 horas, chegaram a testar positivo passado alguns dias.

"Temos muitos doentes que demoraram mais de um mês a recuperar e até doentes do início do surto que permanecem positivos, mas que já tinham tido dois testes negativos seguidos", refere Margarida Tavares, infecciologista do São João, no Porto. Apesar de terem tido alta clínica, estes doentes recuperados voltaram a ser submetidos a novo rastreio ou porque voltaram a apresentar sintomas ou porque um tratamento ou a entrada num lar ou numa unidade de cuidados continuados o exigiu. Foi neste contexto que voltaram a acusar o vírus, segundo a médica.

Nestes casos, afastadas as hipóteses de reinfeção e doutros agravamentos, "tenta-se desdramatizar e pedir para manterem os comportamentos de segurança. A probabilidade de contágio é muito baixa", acredita, com base na experiência de outros países.

A diretora-geral da Saúde já explicou que há partículas virais que ficam no trato respiratório superior, originando o resultado positivo em doentes assintomáticos, não havendo evidência de que esses fragmentos tenham capacidade para se replicar e contagiar.

Para Margarida Tavares, os estudos existentes são ainda muito escassos e limitados para certezas. Para tentar trazer alguns dados adicionais, o São João e o I3S vão iniciar uma investigação a partir do cultivo em laboratório do vírus (retirado das amostras dos testes aos doentes), para se "perceber durante quanto tempo tem capacidade de se replicar em células", avança a médica.

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Ter alta ao sétimo teste

O humorista Fernando Rocha, infetado desde meados de março, só no último domingo teve alta, ao sétimo teste, o segundo negativo. O primeiro tinha sido ao quarto despiste, mas na altura a DGS ainda exigia dois resultados negativos em 24 horas para se dar alta a quem estivesse assintomático e em casa. "Ainda tinha vestígios do vírus, apesar de os médicos acreditarem que o risco de contágio era muito baixo", conta.

Situação semelhante viveu o seu homónimo vice-presidente da Câmara de Matosinhos. Depois do primeiro teste positivo a 23 de março, fez mais seis: três deram positivo, outros três negativos. Os últimos dois trouxeram-lhe a liberdade logo a 25 de abril, mas evita sair sempre que pode. O vereador e o humorista mantêm todos os cuidados, como o distanciamento social e o uso de máscaras.

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