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Rui Rio aponta às legislativas: "Estamos mais perto de ganhar ao PS"

Rui Rio aponta às legislativas: "Estamos mais perto de ganhar ao PS"

Rui Rio oficializou, esta sexta-feira, a recandidatura à liderança do PSD, destacando que os sociais-democratas estão hoje "mais perto de ganhar ao PS". E atirou-se a quem, olhando para interesses individuais, origina divisões internas no partido.

"Estamos mais perto de ganhar ao PS e eu não quero ter a responsabilidade de ver essa oportunidade destruída, por isso, perante os militantes do meu partido e largos milhares de portugueses que, em mim e no PSD, depositam esperança, eu tenho a obrigação de me recandidatar", anunciou Rui Rio, a partir de um hotel no Porto, sublinhando que os resultados recentes indicaram uma "inversão do sentido de voto, ascendente para o Partido Social-Democrata e descendente para o Partido Socialista".

"Contra quase tudo e quase todos, o PSD conseguiu atingir nas autárquicas todos os objetivos a que se propôs. Elegemos mais presidentes de câmara, mais presidentes de freguesia, mais vereadores, mais membros de assembleias municipais e crescemos em número de voto. Crescemos de forma muito relevante nos centros urbanos, crescemos nas capitais de distrito, aumentámos o número de câmaras no Alentejo e reduzimos a diferença para o PS em quase metade", justificou Rui Rio, considerando que "ganhar as próximas legislativas e substituir a governação socialista está hoje bem mais perto".

Salientando a manutenção do Governo da Madeira, a recuperação do Governo dos Açores, o "contributo dado na eleição do Presidente da República" e a reconquista de câmaras municipais, Rui Rio foi categórico em dizer que lhe cabe "cumprir a única etapa que falta": ganhar as eleições legislativas. "Depois deste percurso, que não pode ser desaproveitado, ninguém entenderia que eu deixasse esta tarefa a meio e não estivesse disponível para a realizar por inteiro", sublinhou, reforçando que compete ao partido "aproveitar a dinâmica de vitória e continuar a trilhar o trajeto de credibilidade".

Críticas a quem se move "pela defesa do lugar pessoal"

No discurso em que oficializou a entrada na corrida interna contra Paulo Rangel, Rio Rio referiu-se às divisões internas, "que o bom senso aconselharia a evitar em período tão favorável ao PSD", e à marcação definitiva do congresso social-democrata antes de se saber se haverá eleições legislativas antecipadas, o que, considerou, "constituiu um aventureirismo que a sensatez prudentemente evitaria".

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"Penso no entanto que, apesar destes aspetos negativos, que em nada são da minha responsabilidade, os portugueses não entenderiam uma não candidatura do líder que, com generoso contributo de tantos e tantos militantes, conseguiu os êxitos que aqui enunciei", continuou, descrevendo como "muito prejudicial para o PSD e para o país" uma mudança de presidente numa altura em que Portugal deu "sinais evidentes de inverter o ciclo político."

Em tom mais áspero, Rui Rio disse que é aos militantes do partido que cabe a escolha do seu presidente, não às estruturas e dirigentes nacionais ou locais, "que são os donos dos votos, ou seja, da dignidade das pessoas". "O PSD tem de ser um partido de homens e mulheres livres, não pode ser uma coutada seja de quem for, muito menos de quem, tantas vezes se move essencialmente pela defesa do seu lugar pessoal", atirou Rio, lembrando o que está causa é a escolha do próximo primeiro-ministro português - que seja líder, coerente, experiente e com capacidade de resiliência - e não a de "um bom tribuno ou de um eficaz angariador de votos partidários".


PSD "credível e estável" para combater Esquerda

"A degradação da nossa vida coletiva, seja na economia, na justiça, na saúde, na energia ou nos serviços públicos administrativos exige um PSD forte, credível e estável. Um PSD diferente do PS e com a sua persistente aliança à Esquerda, com partidos que chocam de frente com o modelo social-democrata e que só aspiram a aumentar as suas clientelas com mais despesa pública, que todos temos de pagar", afirmou Rio, manifestando o desejo de um PSD moderado "virado para os portugueses e distante das pequenas lógicas partidárias ou da bolha político-mediática que vive de sondagens, que tudo comenta e analisa, mas que passa completamente ao lado dos reais problemas das pessoas".

Considerando que o país reclama "um primeiro-ministro que fale verdade e não utilize os instrumentos governativos para fazer campanha partidária", o também ex-presidente da Câmara do Porto disse que "Portugal merece um governo que não esteja agarrado ao Bloco e ao PCP e estagnado no tempo da luta de classes".

"Tenho de me conter um bocadinho porque quando me picam eu vou melhor. E eu estou picado", disse Rio, no fim de um discurso por várias vezes interrompido por aplausos, quando questionado pelos jornalistas sobre se estará disponível para debates com Rangel.

Sobre uma resolução das querelas internas, o presidente do PSD disse que a altura cerca para resolvê-las em período pós-eleitoral, e não pré-eleitoral. Vou ter a mesma atitude que tive até aqui porque, quando dizem que não quero agregar, sabem que é mentira, e eu detesto a mentira e a hipocrisia", acentuou, recordando a postura que adotou quando venceu, pela primeira vez, a liderança do PSD.

"Eu, a partir da primeira eleição, tive um adversário, o doutor Santana Lopes, e a primeira coisa que fiz foi convidá-lo para encabeçar o Conselho Nacional. A segunda foi convidar Paulo Rangel para número dois dessa lista, que não me tinha apoiado nessa altura. A terceira foi convidar para líder parlamentar o doutor Negrão, que tinha sido mandatário de Pedro Santana Lopes. E quarta foi convidar como cabeça de lista ao Parlamento Europeu Paulo Rangel", recordou, sublinhando que, contrariamente àquilo de que é acusado, "tudo fez" para agregar o partido.

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