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Rui Rio: "Um Governo meu nunca ficará nas mãos do Chega"

Rui Rio: "Um Governo meu nunca ficará nas mãos do Chega"

O líder do PSD garantiu que um eventual Governo liderado por si nunca se colocará "nas mãos do Chega". Para Rui Rio, o partido de André Ventura está obrigado a afirmar-se "pela positiva" ou a desaparecer.

"Nunca na vida um Governo liderado por mim se colocará nas mãos do Chega", afirmou esta quarta-feira Rui Rio, em entrevista à TVI. O líder social-democrata assegurou que nunca deixará nenhum eventual parceiro "a exigir tudo o que quer e pode como está a fazer o PCP" ao atual Governo.

Rio descreveu o partido de André Ventura como "uma federação de descontentes" que apenas existe "pela negativa" e "contra o sistema".

"O tempo vai obrigar o Chega a ser um partido pela positiva", ou seja, a desvincular-se de um papel unicamente de oposição. Caso contrário, avaliou, existe uma "probabilidade forte" de desaparecer no espaço de dois anos.

Admite geringonça de Direita, "como António Costa ensinou"

Rui Rio reforçou que o recente entendimento assinado com o partido de Ventura apenas diz respeito aos Açores e que "não há qualquer acordo a nível nacional" entre ambas as forças políticas.

No entanto, não excluiu a hipótese de, no futuro, fazer uma espécie de "geringonça de DIreita" à escala nacional: "Defendo aquilo ao que o dr. António Costa a todos nos ensinou: se conseguir fazer uma maioria parlamentar, é essa maioria parlamentar [que sustentará o Governo]", disse Rio. Os jornalistas lembraram-no de que, em 2017, tinha feito declarações em sentido contrário.

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Rio argumentou que qualquer partido "minimamente inteligente" aceita acomodar no seu programa do Governo quaisquer propostas que sejam "coerentes" com as ideias que defende "Não podemos ser hipócritas: se o PCP ou o BE nos pedirem alguma coisa que não vá ferir o nosso programa, por que é que havemos de dizer que não?", indagou.

No entanto, o líder do PSD esclareceu que, se as eleições legislativas fossem agora, seria "impossível" o seu partido formar Governo "com a extrema-esquerda ou a extrema-direita", setores em que incluiu BE, PCP e Chega.

Há açorianos que não trabalham "porque não querem"

Rio negou ter-se encontrado com André Ventura para discutir o acordo relativo aos Açores, mas revelou ter pedido ao líder do partido de extrema-direita para corrigir um comunicado antes de este ser publicado.

Segundo o presidente laranja, Ventura "quis pôr cá fora um comunicado a dizer que havia acordo e enviou-nos para saber se estávamos de acordo". "Na nossa opinião, o comunicado não estava em condições", porque poderia passar a ideia que haveria um entendimento à escala nacional.

Rio também afirmou que "teria sido melhor" se Vasco Cordeiro, líder do PS/Açores e vencedor das eleições regionais de outubro, tivesse podido tomar posse. Dessa forma, explicou, o Governo seria derrubado e Cordeiro não poderia voltar a candidatar-se no futuro, por ter atingido o limite de mandatos.

Contudo, o representante da República no arquipélago, Pedro Catarino, "exigiu suporte parlamentar" a qualquer Governo que quisesse tomar posse, algo que o PS não conseguiu. Assim, o PSD de José Manuel Bolieiro foi chamado a formar Governo, com o apoio de CDS, PPM, Iniciativa Liberal e Chega.

Rio recordou ainda que o acordo com o Chega nos Açores contempla quatro pontos, sendo eles a redução de deputados regionais, a criação de um gabinete contra a corrupção, o alargamento da autonomia do arquipélago e o a diminuição dos apoios sociais, nomeadamente o Rendimento Social de Inserção.

O líder do PSD justificou a inclusão deste último ponto com a sua convicção de que haverá açorianos que não trabalham "porque não querem", nomeadamente na vila de Rabo de Peixe.

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