Prémio

Saiba quem são os 10 professores candidatos ao "Nobel da Educação" em Portugal

Saiba quem são os 10 professores candidatos ao "Nobel da Educação" em Portugal

Os resultados do Global Teacher Prize Portugal, uma espécie de "Nobel da Educação", são divulgados esta sexta-feira. Para além do reconhecimento, o vencedor irá receber um valor de 30 mil euros.

O prémio, promovido pela Fundação Varkey, está presente em 120 países e pretende ajudar à divulgação das melhores metodologias de ensino e projetos inovadores desenvolvidos pelos professores, potenciando assim a capacidade e o aproveitamento escolar dos alunos.

No ano passado a distinção foi entregue a Sónia Moreira. A professora do Ensino Básico no Agrupamento Escultor António Fernandes de Sá, concelho de Vila Nova de Gaia, criou o COOPERA, uma iniciativa que tem como objetivo promover o sucesso escolar através de práticas pedagógicas inovadoras e inclusivas.

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A edição de 2021 contou com quase 200 candidaturas. Estes são os 10 finalistas.

Anabela Rosa Areias

Professora do 1º Ciclo do Ensino Básico.

Escola Básica Mem Martins, Sintra.

É na pedagogia de Waldorf que centra as suas práticas educacionais e efetivas, partindo de vários princípios, como o trabalho em prol da tendência natural das crianças para serem ativas, da valorização das experiências sensoriais nos primeiros anos de vida e da importância de viver a vida ao ritmo das estações do ano.

Algumas metodologias, explica a organização, podem ser exemplificadas através de atividades como "a realização de pinturas a giz sobre diferentes temáticas, a escrita com recurso a lápis de cor ao invés do tradicional carvão, o início do dia ao som de ritmos diversos, a aprendizagem de instrumentos musicais como a flauta de bisel, desenvolvimento de competências como tricô, pintura em aguarela e modelagem com cera de abelha".

Para promover estas pedagogias, escreveu o livro: "1...2...3... Aqui vou eu!".

Bruno Miguel Cavaco Gomes

Professor de Educação Física.

Agrupamento de Escolas João de Deus, Faro.

Desenvolveu um concurso que junta cultura e desporto (Pinheiríadas e Francisquíadas) e que este ano se apelida de Licíadas. É uma resposta irreverente e inovadora para que atividades curriculares e outras possam coexistir num sistema de ensino que formate menos e humanize mais.

Depois de 19 anos a implementar estes projetos nas escolas, a motivação dos alunos para participarem das aulas de Educação Física aumentou significativamente. Na adaptação no ensino à distância, o professor conseguiu manter os alunos a realizar atividade física invertendo os papéis e desafiando os alunos a preparar partes das aulas.

Célia Maria Borges Prata

Professora de Educação Especial, coordenadora da Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva e formadora.

Escola Secundária Quinta das Palmeiras, na Covilhã.

Tem contribuído com a construção de projetos e de parcerias que "possibilitem o desenvolvimento de competências académicas, pessoais e sociais dos alunos de educação especial, para a transição para a vida ativa ou para o acesso ao ensino superior", escreve a organização do prémio. Um de seus projetos inovadores é o Inclusion Project 21 - Centro de Apoio à Aprendizagem, que conta com duas vertentes, a "Espaço escola e vida" e "Bem-estar emocional e comunicação".

A professora acredita que, na maioria dos casos, não são as limitações cognitivas, mas sim a ausência de bem-estar que cria a indisponibilidade para aprender.

Elsa João Cardoso Mota

Professora de Multimédia e diretora do curso profissional.

Escola Secundária Eça de Queirós, em Lisboa.

Com o objetivo de ajudar os alunos a desenvolver competências de comunicação, confiança, liderança, decisão e resolução de conflitos, a professora abraça os projetos como o EçaTV, EçaRádio e EçaNews, envolvendo centena e meia de alunos.

Estas iniciativas estão assentes em dinâmicas colaborativas, que passam pela criação de equipas e líderes, coordenados pela professora, que são responsáveis pela sua própria aprendizagem e dos colegas. A inovação, o sucesso na aprendizagem e a motivação dos alunos

Os alunos participam em concursos, projetos europeus, são estabelecidas parcerias com empresas e instituições públicas (em que os alunos têm a oportunidade de trabalhar em casos reais). Estas iniciativas, aliadas à participação ativa, modelos de aulas invertidas, método de trabalho por projetos e a boa relação pedagógica ajudam a manter a motivação e sucesso na aprendizagem.

Helena Cristina de Carvalho Pires

Professora de Ciências Naturais e docente nos Cursos de Educação e Formação em jardinagem.

Agrupamento de Escolas de Álvaro Velho, Barreiro.

A professora recorre à metodologia inovadora STEM (baseada em projetos colaborativos interdisciplinares internacionalmente), para ligar o ensino formal ao não formal e levar as Ciências, Tecnologias, Engenharias e a Matemática de forma integrada para a sala de aula. Promove o desenvolvimento do espírito crítico e da capacidade de resolução de problemas. Participou em diversos concursos que providenciaram experiências inesquecíveis aos alunos, experiências essas que foram disseminadas, nacional e internacionalmente, de forma a inspirar outras escolas.

Maria Cristina Baltazar Chau

Professora de educação visual.

Escola Secundária da Lousã, Lousã.

A professora inova com aulas em espaços diversificados como museus, bibliotecas e ao ar livre, dinamizando projetos que têm como base o trabalho colaborativo e transdisciplinar. Desta forma procura "desenvolver o gosto pela arte, a pesquisa, o método e rigor no trabalho, a sensibilidade estética, a sensibilização para o património e para a sustentabilidade, e as atitudes de solidariedade e de sociabilidade", adianta o Global teacher Prize Portugal.

Com o projeto Clube do Bem-estar Animal, contribuiu para a melhoria da autoestima dos alunos, motivação e diminuição de comportamentos agressivos, pala além de promover, em seus alunos, o sentimento de responsabilidade e dever de cuidar do meio ambiente, formando cidadãos críticos e participativos. Como coordenadora do Projeto Cultural de Escola, cria e dinamiza atividades em suas aulas de turmas do pré-escolar ao ensino secundário, de forma que a "arte" entre transversalmente na escola.

Maria de Fátima Gomes Pais Ferreira

Professora de informática.

Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite, São João da Madeira.

A sua abordagem pedagógica centra-se na triangulação de três componentes: desafios, trabalho em rede e paixão. Com isto, a professora desafia os seus alunos a superarem-se e, ao mesmo tempo, a contribuírem para a sociedade de forma positiva, estimulando o empreendedorismo.

As temáticas a serem trabalhadas têm como base problemas da vida real, que podem surgir dos interesses dos alunos ou integrados em concursos. Quando possível, a professora forma equipas multidisciplinares com alunos de diferentes áreas a trabalhar para o mesmo projeto. A abordagem mobiliza e potencia as competências de cada aluno, que se deixam contagiar pelo entusiasmo e paixão.

Em exemplo é o desenvolvimento da aplicação Sandspace para ajudar os banhistas a identificar as praias menos ocupadas. Mais do que os prémios obtidos, este projeto teve um grande impacto na comunidade educativa e na valorização do ensino profissional.

Maria Elsa da Fonseca Cerqueira

Professora de Filosofia.

Escola Secundária de Amarante.

Move-se pelo desafio de criar e implementar "pequenas utopias", com o intuito de potencializar o desenvolvimento de cidadãos críticos e criativos para uma sociedade mais humanizada. Para isso combina as suas três paixões: filosofia, cinema e educação.

Criou o projeto de Filosofia com Cinema, que visa desenvolver o pensamento filosófico dentro e fora do filme. Cada aluno desenvolve os seus questionamentos, a sua autonomia cognitiva e afetiva, seguindo os valores fundamentais como o respeito para com o outro, a tolerância pela diversidade e a solidariedade.

A extensão desta ação à comunidade torna-os seres ativos capazes de a melhorar, colocando em prática uma cidadania esclarecida, interventiva e colaborativa

Maria Elsa Padrão Mendanha

Professora de educação Pré-Escolar.

Jardim-de-Infância de Seide S. Miguel, Vila Nova de Famalicão.

A inovação do método pedagógico desta professora consiste em conceber a escola como um todo, usar os espaços exteriores da comunidade como uma extensão do edifício e envolver colegas, assistentes operacionais, famílias e outros elementos da comunidade.

Este método, que tem por base o construtivismo, humanismo, naturalismo e participação, deu origem ao projeto "Sei de um Jardim...para Brincar e Aprender". O objetivo é proporcionar uma educação de qualidade, baseada em ações, que favoreçam a inclusão, respeitando a singularidade e liberdade de cada criança.

O projeto estabelece uma relação colaborativa de proximidade com a comunidade, numa partilha de recursos humanos e materiais que complementam as práticas educativas.

Nuno José da Silva Trindade Duarte

Leciona Aplicações Informáticas B a alunos do 12º ano de escolaridade.

Agrupamento de Escolas de Cister, Alcobaça.

Escreve a organização que é "movido pela paixão de criar oportunidades e acender corações, incentivando a autonomia dos alunos através de projetos reais de impacto pessoal e/ou na comunidade", sem esquecer um "compromisso para com o ecossistema".

Através do uso de ferramentas digitais, o professor gere e organiza todas as etapas do projeto com os alunos. Ao longo deste desenvolvimento, os alunos "são guiados por processos subjetivos e reflexivos, com foco na estrutura de portfólios "o teu projeto és tu", adianta a organização do prémio.

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