Coronavírus

"Saímos de Wuhan na hora certa". Português fala do Coronavírus e da quarentena

"Saímos de Wuhan na hora certa". Português fala do Coronavírus e da quarentena

Miguel Matos, treinador de guarda-redes na cidade chinesa, vai ficar em Guimarães até haver condições para regressar.

Na hora de chegar a casa, o português Miguel Matos faz um balanço positivo da mais longa viagem que realizou até hoje. Aquela travessia que o trouxe à pressa de Wuhan, primeiro com escala em França e depois com escala de 14 dias em quarentena no Hospital Pulido Valente, em Lisboa. "Teve um final feliz", desabafa.

Miguel Matos, de 43 anos, da vila de Caldas das Taipas, Guimarães, é o treinador de guarda-redes do Hubei Chufeng Heli, clube que milita na 2.ª divisão profissional da China. Estavam no epicentro do surto quando a situação começou a escalar e todos os dias havia mais medidas de contenção do coronavírus, essa estirpe agora chamada de Covid-19 que, por pouco, não os fez ficar lá retidos.

"Saímos de Wuhan na hora certa. Se não tivéssemos saído naquele avião, estaríamos numa situação muito delicada porque a informação que eu tenho é que as pessoas agora não podem sair mesmo, é o próprio governo que vai levar a comida a casa das pessoas e para nós, estrangeiros, seria complicado", relata Miguel, que tem agradecimentos para todas as pessoas que encontrou na travessia.

Primeiro, para "o trabalho magnífico" que os dois diplomatas fizeram ao irem buscar os portugueses, um a um, às suas casas em Wuhan. Depois, para a equipa do Hospital Pulido Valente, desde "auxiliares, enfermeiros, médicos e equipa de psicólogos". Por fim, para a Direção-Geral da Saúde que "teve algum cuidado e esforçou-se" em melhorar a estadia dos que estiveram de quarentena.

Máscaras e amizade

Ali, no piso 3 do Pulido Valente, passaram o tempo no ginásio, a partilhar experiências e a ler os jornais e as revistas do dia. Sair do quarto só de máscara, mas isso não impediu o convívio e a formação de laços de um grupo que não se conhecia e, quando regressar à China, promete reencontrar-se "várias vezes", assegura Miguel.

Depois de 10 mil quilómetros de viagem, 14 dias de quarentena e umas horas de comboio de Lisboa a Guimarães, fica cumprido o desejo de Miguel de rever a esposa e a filha de 14 anos que não vê desde novembro. "Vou tentar aproveitar ao máximo estas férias forçadas e ir até às Taipas, à minha terra, estar com os meus familiares e amigos, e depois a minha ideia é clara, é voltar a trabalhar na China", atesta.

Afinal, é lá que tem um contrato de trabalho com um desafio profissional aliciante. Mas só volta "quando as condições de segurança estiverem garantidas", ressalva, enquanto recorda com alguma tristeza o quanto Wuhan mudou nos últimos dias. "Aquela cidade é uma cidade fantástica, com uma qualidade de vida muito boa onde estamos habituados a ver aquela agitação normal de uma cidade e de repente ficou uma cidade fantasma", lamenta.

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