Regresso

Salas de aulas terão de ser higienizadas a cada mudança de turma

Salas de aulas terão de ser higienizadas a cada mudança de turma

As salas de aulas devem ser higienizadas sempre que muda a turma, as casas de banho devem ser lavadas de hora a hora e a bancada onde as refeições são servidas no refeitório de 20 em 20 minutos - são algumas das regras de higienização diárias que as escolas vão ter de cumprir em contexto de pandemia, após o regresso dos alunos do 11.º e 12.º às aulas presenciais.

A falta crónica de funcionários reivindicada pelos diretores não preocupa, neste momento, porque os alunos até ao 10.º vão continuar com ensino à distância até ao fim do ano letivo. E isso permitirá a afetação de todos os assistentes operacionais dos agrupamentos nas secundárias, explicou ontem o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

Até dia 18, as Forças Armadas vão desinfetar as secundárias e dar formação aos assistentes operacionais. Os militares também farão a desinfeção se surgir um caso suspeito numa escola, à semelhança do que tem sucedido nos lares. Operações que permitirão "tornar as escolas um lugar seguro", sublinhou o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho. Os dois governantes assistiram ontem a uma ação de desinfeção na secundária da Amadora.

O processo será faseado. Já foram contactadas 242 escolas. Mas a lista entregue à Defesa, revelou Gomes Cravinho, "tem cerca de 520 estabelecimentos".

No momento da formação, foi sublinhado aos funcionários que as maçanetas das portas, interruptores ou canetas "são superfícies de grande risco que precisam ser desinfetadas". No final, uma das assistentes perguntou se podia limpar as salas com a máscara social que tinha feito. Foi-lhe respondido que as máscaras têm características específicas mas que o material usado na exibição é do Exército. Momento que levou a diretora-geral dos Estabelecimentos Escolares, Manuela Faria, também presente na sessão, a intervir para sublinhar que o Exército tem de estar preparado para cenários de maior perigosidade e que a higienização das escolas tem de ser adaptada à realidade dos agrupamentos.

Menos tempo de aulas

As escolas ainda não sabem quantos alunos por sala vão ser permitidos para garantir o distanciamento social (a Fenprof reclama 12). Uma medida essencial para que os diretores possam reorganizar os horários de alunos e professores e apurar a eventual necessidade de contratar mais docentes. A aquisição dos equipamentos de proteção - as máscaras serão obrigatórias para todos - e desinfetantes ainda não foi revelada.

"Tudo está a ser acautelado e preparado com antecedência. No momento certo, será divulgado", garantiu Tiago Brandão Rodrigues, assegurando que as escolas receberão orientações após a confirmação do dia de regresso.

Na secundária da Amadora, o diretor, Francisco Marques, deseja que a estratégia que já definiu lhe seja aprovada: pretende dividir as turmas ao meio e reduzir a carga horária dos alunos para metade. Assim, os alunos do 12.º só teriam aulas às terças e quintas e os do 11.º nos outros três dias da semana. Entre as 10 e as 17 horas. E os professores manteriam a sua carga letiva evitando a necessidade de novas contratações. A escola questionou os pais: cerca de metade não tenciona deixar os filhos regressar às aulas.

Quase 100 equipas

Até ao final da semana, as Forças Armadas terão 82 equipas para a operação de desinfeção e formação nas escolas, mas o Exército, revelou o ministro da Defesa, está a formar mais 15 equipas. A missão deve envolver 400 militares.

Cerca de 120 mil alunos

Em 2018, de acordo com os últimos dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação, estavam inscritos no 11.º e 12.º cerca de 122 mil alunos. Na secundária da Amadora, podem regressar às aulas 525 alunos do total de 3200 do agrupamento.

Fenprof quer medidas

Sem condições de segurança e pareceres favoráveis de especialistas de saúde pública, a Fenprof vai opor-se ao regresso dos alunos a aulas presenciais. Numa gravação feita para o 1.º de Maio, Mário Nogueira volta a exigir proteção para os grupos de risco. Milhares de professores têm mais de 60 anos.

Creches e Pré-Escolar

As creches devem poder reabrir em maio, como tinha sido pedido pela Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos de Ensino Particular, reclamando a abertura em simultâneo dos jardins de infância e 1.º ciclo. A reabertura do Pré-Escolar (3 aos 6 anos) ainda não foi anunciada.

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