Crise

Seca pode levar à limitação de piscinas, rega e lavagem de ruas

Seca pode levar à limitação de piscinas, rega e lavagem de ruas

As autoridades estão a ponderar limitar o enchimento de piscinas de modo a mitigar os efeitos da seca, que poderá tornar-se na mais grave desde que há registos em Portugal. O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, admitiu vir também a condicionar a rega de espaços verdes ou a lavagem de ruas. A reutilização de águas residuais tem sido encarada como solução de futuro e está a ser introduzida no Algarve e em Lisboa mas, devido à pandemia, ainda pouco foi feito nesta área no resto do país.

Segundo apurou o JN, a limitação do uso de piscinas é uma das medidas a discutir nas reuniões que arrancam esta quarta-feira, no Algarve, entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e as regiões do país. Contudo, caso avance, nunca será uma imposição; tomará, antes, a forma de uma recomendação feita pelas autoridades, não só aos municípios como aos particulares com piscina.

A recomendação também não será uniforme: haverá uma avaliação caso a caso, que terá em conta o impacto económico das piscinas municipais na economia local. Assim, as autarquias do interior poderão beneficiar de critérios mais largos, de modo a não se verem privadas de um equipamento que as dinamiza no verão.

Esta será a primeira vez que existirão planos regionais para o combate à seca. Os encontros irão estender-se até 16 de março e, depois, haverá uma reunião nacional que decidirá as medidas a adotar, sendo que estas poderão variar conforme as zonas do país.

Covid atrasa reciclagem

Esta terça-feira, o ministro do Ambiente confirmou que deverão ser tomadas medidas para poupar água: "No imediato, aquilo que pode ser feito é, muito provavelmente, decretar novas medidas de restrição do uso de água, que passam sobretudo pela atividade agrícola e por outras atividades urbanas", afirmou Matos Fernandes.

Em concreto, o governante salientou que "a rega de espaços verdes, as lavagens de ruas, a lavagem de alguns equipamentos poderá vir a ser condicionada". No entanto, admitiu que as medidas possam variar, já que "cada região é diferente".

PUB

O país tem apostado na reutilização de água para rega ou lavagens. O Algarve reutiliza 1 hm3 de água, sendo que a região quer multiplicar o valor por oito até 2025 (10% do total anual ali consumido). Em Lisboa, há um projeto para usar 1200 m3 de água reciclada na rega de jardins do Parque das Nações.

A ideia é alargar esta prática ao resto do país. Contudo, a pandemia atrasou o processo: segundo soube o JN, a APA quis garantir que a água usada não estava contaminada com o vírus, o que exige uma análise de risco mais exaustiva e, por isso, mais demorada.

Produção de energia só retoma se chover

As cinco barragens que, no início do mês, viram a sua produção de energia ser suspensa só voltarão a servir para esse fim quando os seus níveis de armazenamento de água regressarem aos valores médios, soube o JN.

Devido à seca, as barragens do Alto Lindoso (Viana do Castelo), Alto Rabagão (Vila Real), Vilar/Tabuaço (Viseu), Cabril (Leiria/Castelo Branco) e Castelo de Bode (Santarém) deixaram de produzir energia para se destinarem apenas a consumo humano.

A situação do Alto Lindoso é a mais crítica (está nos 19%, sendo que a sua média de fevereiro é de 65%); a de Castelo de Bode é a menos grave (59%, para uma média de 74,5%).

Dois Alquevas

Portugal consome cerca de seis mil milhões de m3 de água por ano, o equivalente a duas barragens do Alqueva. A maioria (70%) vai para a agricultura.

Pressão da água

A diminuição da pressão da água é encarada pelas autoridades como medida de último recurso. Para já, não há populações em risco de terem de ser abastecidas por cisternas.

Esperança em Abril

Os especialistas ainda esperam alguma chuva, mas só durante o mês de Abril.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG