Abuso de menores

Secretário de Estado acusa bispo de enfiar cabeça na areia

Secretário de Estado acusa bispo de enfiar cabeça na areia

O secretário de Estado Adjunto da Educação acusa o bispo auxiliar de Lisboa de enfiar a cabeça na areia. D. Américo Aguiar defendeu que uma investigação sobre abusos sexuais de menores em Portugal não se devia cingir à Igreja, apontando o dedo às escolas. João Costa não gostou e escreveu no Facebook que o coordenador da comissão de proteção de menores do Patriarcado de Lisboa estava a "levantar poeira noutros setores em vez de olhar para dentro e agir".

"Nas escolas, quando há indícios de abuso por parte de algum profissional, abrem-se de imediato processos de averiguações, suspensões preventivas e reporte às autoridades. Não há silêncio ou deslocação do profissional para outra escola", lê-se no "post" escrito por João Costa nas redes sociais. Duro e sem complacência, o secretário de Estado assume ter "uma esperança quase nula face à capacidade de atuação" das comissões criadas nas dioceses para acolherem e tratarem as denúncias de abusos.

Criar um grupo nacional

A investigação de uma comissão independente em França revelou que cerca de 216 mil crianças e adolescentes foram abusadas ou agredidas sexualmente por padres católicos entre 1950 e 2020. E que perto de mais 120 mil terão sido vítimas de agressores leigos que trabalharam em instituições católicas (elevando o número de vítimas para 330 mil). Em declarações ao jornal "Público", D. Américo Aguiar admitiu uma investigação em Portugal desde que não circunscrita à Igreja.

"A Igreja é a única instituição que apesar de todos os arrastamentos e dificuldades está a levar isto a sério. Veem o Ministério da Educação a fazer alguma coisa? As ordens profissionais a fazer alguma coisa?", defendeu D. Américo Aguiar, motivando a indignação do secretário de Estado da Educação. Mas não só.

A líder da bancada do PS, Ana Catarina Mendes, classificou as afirmações do bispo auxiliar de Lisboa de "um erro". "Dois errados não fazem um certo. O que é preciso é não meter a cabeça na areia e investigar", afirmou na "Circulatura do Quadrado" na TVI24 e na TSF.

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A Conferência Episcopal Portuguesa já admitiu criar um grupo nacional a partir das comissões em cada diocese. "A Igreja reconhece a gravidade da situação, que não é de agora. É de sempre e continua a tratá-la com toda a seriedade", defendeu o porta-voz da CEP. O padre Manuel Barbosa revelou que às comissões chegam "poucas denúncias".

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