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Secretário de Estado admitiu na SIC que golas são inflamáveis

Secretário de Estado admitiu na SIC que golas são inflamáveis

O secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves, admitiu há um ano, ao programa da Júlia Pinheiro na SIC, que as golas antifumo distribuídas no programa "Aldeia Segura" são inflamáveis.

A 4 de julho de 2018, Artur Neves mostrou aos portugueses as peças que compõem o kit distribuído aos oficiais de segurança local e a milhares de outras pessoas, nos locais de maior risco de incêndio.

Com o material do kit de autoproteção espalhado numa mesa, José Artur Neves dizia: "É para proteger do fumo", enquanto Júlia Pinheiro pegava numa gola. "Este tecido é especial, é? É não inflamável, é isso?", perguntou então a apresentadora. José Artur Neves foi lacónico na resposta: "Não, não é. Deve humedecer-se...."

Há uma semana, o Ministério da Administração Interna (MAI) ficou sob fogo, quando o JN noticiou que as golas distribuídas no âmbito de uma campanha específica relacionada com os incêndios florestais. O MAI argumentou que se tratava apenas de material de propaganda e não de proteção em caso de incêndio e a Autoridade Nacional de Emergência e a Proteção Civil chegou a admitir que só as golas deveriam ser usadas como "proteção temporária". Apesar de o ministro Eduardo Cabrita ter classificado as notícias de alarmistas, acabou por mandar abrir um inquérito urgente.

Um negócio entre irmãos

Como o JN revelou nos últimos dias, todavia, as golas antifumo e os kits de autoproteção foram encomendados pela Secretaria de Estado da Proteção Civil, via ANEPC, após consulta a cinco empresas indicadas por um adjunto de José Artur Neves, Francisco Ferreira, líder do PS Arouca, que ontem se demitiu. Antes de ocupar o cargo no ministério de Eduardo Cabrita, José Artur Neves foi presidente da Câmara de Arouca.

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Das cinco empresas consultadas, só uma apresentou preço, ficando com o fornecimento do material, garante o MAI: a Foxtrot Aventura, da área da animação turística. O dono, Ricardo Peixoto Fernandes, é casado com uma autarca do PS de Guimarães. Sendo a Foxtrot incapaz de, ela própria, produzir as golas, Ricardo Peixoto Fernandes acabou por encomendá-las à fábrica do seu irmão, Luís Peixoto Fernandes, a Mosc Confeções.

O MAI assegura que a Mosc Confeções tinha sido, ela própria, convidada a apresentar um preço para produzir as golas, mas não avançou com uma proposta. O JN tentou falar com os dois irmãos, mas não quiserem prestar esclarecimentos.

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