Investigação

Segunda vaga de Covid-19 pode ser tão ou mais grave que a primeira

Segunda vaga de Covid-19 pode ser tão ou mais grave que a primeira

É pouco provável que Portugal escape a uma segunda vaga de infeções pelo novo coronavírus. Mas, de acordo com dois especialistas ouvidos pelo JN, a gravidade vai depender das medidas que forem tomadas agora, enquanto a primeira está em curso e logo a seguir ao fim desta.

Na opinião do epidemiologista Manuel Carmo Gomes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, se a segunda vaga ocorrer, "não é uma fatalidade". No entanto, deixa um alerta: "se não tomarmos as medidas adequadas", é possível que esta "seja tão ou mais grave do que a primeira".

Pedro Simas, virologista e investigador do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, também considera que a gravidade de uma segunda vaga "vai depender do que fizermos".

A segunda vaga, explica este último, só seria evitada através da vacinação ou da imunização de pelo menos 60% da população através de infeção natural. Mas nenhum destes cenários se pode colocar para já - uma vacina não deverá surgir antes de um ano e as medidas de contenção determinadas para evitar o colapso do sistema de saúde vão impedir que a imunidade da população seja suficiente.

"O vírus é endémico, persiste no Mundo. Não é plausível que se eliminem todas as infeções. Queremos é evitar que a segunda vaga seja descontrolada", diz.

"A prioridade é travar a velocidade a que os novos casos estão a aumentar", defende Manuel Carmo Gomes. Quando tal acontecer, deverá existir "uma janela de oportunidade" para que os serviços de saúde se reorganizem e se invista na vigilância epidemiológica. Ou seja, o país terá de voltar a isolar os novos casos e fazer o rápido rastreio dos contactos dessas pessoas.

Testes determinantes

Sem vacina, os seres humanos só adquirem imunidade aos vírus após terem sido infetados. E, até ao momento, não há evidência científica de que, neste caso, não se adquira imunidade após contrair a Covid-19. Além disso, explica Pedro Simas, como "95% a 96% das infeções são assintomáticas ou ligeiras", há pessoas que nunca chegam a saber que estiveram infetadas.

Por isso é essencial o desenvolvimento de testes serológicos que possam revelar com garantia quem é que efetivamente contraiu a infeção. Estes testes são diferentes dos realizados agora, que detetam se a infeção está ativa.

"Precisamos de saber a percentagem da população que fica imunizada. Se for na ordem dos 15% a 25%, não evitaríamos uma segunda onda, mas evitaríamos que fosse tão rápida", frisa Manuel Carmo Gomes.

Quanto à imunidade dos profissionais de saúde, após ficarem doentes, Miguel Carmo Gomes considera que, tal como os restantes seres humanos, após a realização de dois testes com resultado negativo, devem poder regressar ao trabalho.

Pedro Simas entende que cabe às autoridades de saúde definirem o protocolo para estes profissionais, mas também aqui considera que o ideal seria a realização de testes serológicos.

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