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Seguradora espera relatório da Polícia sobre acidente em França

Seguradora espera relatório da Polícia sobre acidente em França

A companhia de seguros da carrinha Mercedes Sprinter envolvida na tragédia, em França, que levou à morte de 12 emigrantes que vinham passar a Páscoa a Portugal, está a aguardar pelas conclusões da Polícia francesa na investigação ao acidente.

A Liberty Seguros nega, assim, notícias que dão como certa a informação de que tinha avisado as famílias das vítimas da recusa de pagamento de quaisquer indemnizações.

"A única declaração que podemos fazer de forma séria e responsável neste momento é que ninguém está em posição de fazer uma declaração válida sobre o que quer que seja em termos de responsabilidades, uma vez que as perícias técnicas da polícia francesa ainda não foram concluídas", afirmou, em comunicado, José de Sousa, presidente do Conselho de Administração da Liberty Seguros.

Conforme o JN noticiou, Arménio Pinto Martins, empresário responsável pelo transporte dos emigrantes, declarou à seguradora, aquando da celebração do contrato, que o veículo era de mercadorias e que poderia transportar seis ocupantes. Não obstante, a Mercedes estava transformada em carrinha de passageiros e a lotação era de 12 pessoas, além do condutor.

Em face desta adulteração e desvio da finalidade da viatura, em cima da mesa está a possibilidade de a seguradora recusar pagar indemnizações. Porém, nessa eventualidade, de acordo com especialistas contactados pelo JN, as famílias não deverão ficar desprotegidas quanto a indemnizações por dano morte e danos morais, podendo ocorrer a intervenção do Fundo de Garantia Automóvel (FGA), de Portugal ou de França.

Em último caso, tanto o empresário Arménio Pinto Martins como o sobrinho condutor, Ricardo Pinheiro, de 19 anos (e não habilitado para ser motorista profissional), podem vir a ser responsabilizados quer pela seguradora, quer pelo FGA, exigindo os montantes que vierem a pagar às famílias das vítimas.

Leia o comunicado na íntegra:

A Liberty Seguros une-se à dor que embarga as famílias e os amigos das 12 vítimas falecidas tragicamente no acidente ocorrido perto do cidade de Moulins em França, quando vinham celebrar a Páscoa no seio das suas famílias.

A Liberty Seguros é hoje referenciada como a "seguradora" pelo Correio da Manhã, pela CM TV e pela SIC. Diz-se que a seguradora terá comunicado (!) que não assumia nenhum pagamento pelas mortes do acidente. Mentira.

A única peça séria, verídica e responsável que foi escrita sobre o tema da responsabilidade e dos seguros é a que consta na página 4 do Jornal de Notícias de hoje.

Ninguém, absolutamente ninguém da Liberty Seguros foi até hoje contactado para fazer uma declaração sobre o tema. A primeira pessoa a fazê-lo foi há instantes a jornalista Maria Eça da TVI, que contactou a pessoa errada da Liberty Seguros para dizer o que quer que seja sobre o tema, pois não é da sua responsabilidade fazê-lo.

Esta pessoa recusou-se obviamente a fazer uma declaração sobre um assunto que desconhece. Ontem à tarde a SIC telefonou ao nosso parceiro de assistência, a RNA (Rede Nacional de Assistência) a perguntar pela pessoa da Liberty Seguros "responsável pelas crises". É o mesmo se nós ligassemos à SIC a perguntar pela pessoa responsável por produzir o programa "60 minutes"... Ao não conseguir, como é óbvio, falar com alguém da Liberty Seguros na RNA, aderiram também à versão de que a seguradora não vai pagar o que quer que seja, felizmente sem mencionar o nome da companhia.

A única declaração que podemos fazer de forma séria e responsável neste momento é que ninguém está em posição de fazer uma declaração válida sobre o que quer que seja em termos de responsabilidades, uma vez que as perícias técnicas da polícia francesa ainda não foram concluídas.

Seria irresponsável fazer qualquer declaração sobre este tema neste momento. Aos senhores jornalistas pede-se seriedade, profissionalismo, recato e respeito pelos familiares das vítimas, não especulando nem acicatando os ânimos das pessoas com declarações falsas, mal investigadas, assentes em "fontes" inexistentes.

Insisto, se querem ver uma peça jornalística séria, bem investigada, leiam por favor a página 4 do Jornal de Notícias de hoje.

José de Sousa, presidente do Conselho de Administração da Liberty Seguros