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Seguro e Assis na linha da frente

Seguro e Assis na linha da frente

Francisco Assis e António José Seguro perfilam-se como os mais fortes candidatos à sucessão de José Sócrates na liderança do PS. António Costa, porém, é o nome por que grande parte dos militantes suspira. Mas este poderá não ser o momento certo para o autarca lisboeta.

Alguns dos camaradas que, ontem, se despediram de José Sócrates queriam, na realidade, vê-lo pelas costas. Partidariamente falando. E entre esses destacam-se António José Seguro e Francisco Assis. O primeiro, dado como o mais bem colocado dos herdeiros socráticos, terá começado mais cedo a preparar o futuro, num esforço de arregimentar apoios distritais que façam pender a balança para a sua causa. Alguns dos contactos com as estruturas "rosa" terão, mesmo, sido efectuados durante a fase de campanha eleitoral.

Aliás, ainda Sócrates carpia as mágoas da noite de eleições e já Seguro usava os microfones reunidos à sua volta para marcar território: "Não há pressa. A única pressa que eu tenho é continuar a ajudar o meu partido e Portugal. Mas não vão demorar muito tempo para saber qual será a minha posição", apontou, para concluir: "Depois de terminada a reflexão, decidirei. Mas o partido sabe que pode contar comigo".

Com Porto e com Lisboa

A contagem de espingardas já vai, todavia, longa. E, do lado de lá da barricada, está Francisco Assis, cujo trabalho na liderança da bancada parlamentar lhe granjeou um assinalável capital político. No deve e haver dos apoios, Assis parece contar para já com uma conjugação de peso: as maiores federações do país, Porto e Lisboa, deverão apoiá-lo, nas figuras dos seus líderes, respectivamente Renato Sampaio e Marcos Perestrelo. Garantido e confirmado este empurrão, os mais próximos de Assis acreditam que muito dificilmente a vitória lhe escapará.

Ontem, o líder parlamentar socialista, outrora reservado quanto ao papel que lhe cabia no futuro do partido, começou a abrir o livro: "Sou militante do PS e enquanto militante do PS vou ter um papel activo na discussão que nós temos que fazer nos próximos dias e nos próximos meses. Seria obsceno fazer qualquer consideração para além disto", afirmou, na qualidade de comentador televisivo.

Com a demissão de José Sócrates do cargo de secretário-geral, segue-se, agora, a convocação de um congresso extraordinário, que deverá acontecer no próximo mês. Sócrates regressa à condição de militante--base, mas muitos socialistas viram na expressão "não pretendo ocupar qualquer cargo político nos tempos mais próximos" uma porta entreaberta para as Presidenciais de 2016.

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"Tempo é de luto"

Pese embora as aspirações de Seguro e Assis, não deixa de ser curiso verificar que, nos círculos por onde concorriam como cabeças-de-lista, Braga e Porto, respectivamente, sofreram uma pesada e proporcional derrota, ao baixarem de 41% para 32%.

"O tempo, agora, é de luto", afirmou, ao JN, um dirigente socialista, sublinhando, ainda assim, que os militantes não podem ficar órfãos de uma liderança que, a todos os títulos, marcou os últimos anos. O PS vive, agoram, a fase D.S.: Depois de Sócrates.

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