Política

"Sequestrado" e "suspeita": as reações dos partidos ao aviso de Marcelo

"Sequestrado" e "suspeita": as reações dos partidos ao aviso de Marcelo

O aviso do presidente da República a António Costa para que cumpra o mandato de quatro anos à frente do Governo, durante a tomada de posse desta quarta-feira, não deixou indiferentes os representantes dos partidos com assento parlamentar.

O presidente do PSD, Rui Rio, disse à saída da cerimónia de tomada de posse que o "mais marcante" do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa foi a "questão do cumprimento integral do mandato". Recorde-se que tem sido comentado que António Costa poderá ambicionar a um cargo em Bruxelas nos próximos anos e que, caso tal aconteça, isso significa que o primeiro-ministro terá de ser substituído à frente do Executivo.

"Quando vamos para eleições e queremos a vitória - e até conseguimos a vitória para lá do que estamos à espera - temos a obrigação redobrada", acrescentou Rio aos jornalistas, à saída da cerimónia. Perante um eventual cargo europeu, o líder social-democrata diz partilhar da mesma "suspeita" do chefe de Estado.

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Já Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, recusou comentar as palavras de Marcelo acerca da possível saída de Costa do Governo e criticou a posição do presidente da República no dia da tomada de posse. "Não podemos começar com este modelo do primeiro-ministro sequestrado". O mesmo foi defendido por Rui Tavares, deputado do Livre, que afirmou ser "mais importante focar no futuro do país".

Por seu lado, André Ventura disse que o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa "foi muito inteligente". O facto de a tutela dos Assuntos Europeus passar a estar sob alçada do primeiro-ministro na nova legislatura não é "inocente", acrescentou o presidente do Chega.

Inês Sousa Real, deputada do PAN, precisou aos jornalistas que "o presidente da República não podia ter sido mais direto". Quanto à possibilidade de diálogo com o Governo socialista, a porta-voz diz que a decisão está do lado do Executivo.

O presidente da República afirmou, no seu discurso, que os portugueses escolheram dar a maioria absoluta ao Governo do Partido Socialista, mas também a António Costa. "Fez questão de personalizar o voto ao falar de uma escolha entre duas pessoas [ele próprio e Rui Rio] para a chefia do Governo", defendeu. Desta forma, Marcelo Rebelo de Sousa alertou Costa de que não deve deixar o mandato a "meio do caminho".

"Agora que ganhou - e ganhou por quatro anos e meio -, tenho a certeza de que vossa excelência sabe que não será politicamente fácil que essa cara que venceu de forma incontestável e notável as eleições possa ser substituída por outra a meio do caminho", referiu o chefe de Estado na cerimónia da tomada de posse.

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