Assembleia da República

25 de Abril só no Parlamento e 1.º de Maio na rua com limites 

25 de Abril só no Parlamento e 1.º de Maio na rua com limites 

A Assembleia da República vai realizar a sessão solene do 25 de Abril com apenas um terço dos deputados e "alguns convidados", que estarão nas galerias. Marcelo permite Dia do Trabalhador mas sindicatos recusam tradicionais manifestações.

O decreto do prolongamento do estado de emergência permite a comemoração do Dia do Trabalhador, a 1 de maio, embora com os "os limites de saúde pública" em vigor. Mas, em período de exceção, as centrais sindicais também vão usar as plataformas digitais.

"Estaremos na rua, garantindo as necessárias medidas de proteção e distanciamento", diz Isabel Camarinha, numa mensagem publicada no site da central sindical. Acrescenta, no entanto, que "não será possível realizar as manifestações e concentrações que juntariam muitos milhares de trabalhadores em todo o país". A CGTP também vai assinalar a data nas plataformas digitais, sem deixar de mostrar a sua "indignação e protesto" pelos "atropelos" aos direitos dos trabalhadores.

A UGT também irá usar a Internet. "Não estão reunidas as condições para fazermos ajuntamentos", justifica o secretário-geral, Carlos Silva, que irá reiterar num vídeo de uma hora que a UGT não aceita austeridade.

25 de abril polémico

Já o 46.º aniversário da Revolução dos Cravos será celebrado no Parlamento numa sessão onde são esperadas cerca de 300 pessoas. A decisão motivou críticas à Direita, o relembrar das regras em vigor por parte da diretora geral da Saúde e justificações do presidente do Parlamento, Ferro Rodrigues, que teve de se justificar sobre as medidas de distanciamento social.

Foi do PSD que surgiu a proposta de se manter a sessão solene do 25 de Abril, no Parlamento, embora "com menos deputados e convidados". Isto apesar de ter sido cancelado o tradicional desfile na Avenida da Liberdade e de o presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, ter apelado aos portugueses para cantarem a "Grândola" nas janelas. "O Parlamento é um órgão de soberania. Há que respeitar", reagiu apenas, ao JN.

Anteontem, foi aprovado em conferência de líderes que estarão presentes 70 dos 230 deputados, a mesma quantidade de convidados, que "irão ocupar as galerias", membros do Governo, jornalistas e perto de 100 funcionários. Estima-se um total de 300 pessoas.

"A decisão foi apoiada por uma maioria clara", anunciou a porta-voz Maria da Luz Rosinha, adiantando que a sessão terá uma intervenção do presidente da Assembleia da República, do chefe de Estado e dos partidos com assento.

O Chega protestou, de imediato. "Não faz sentido pedir aos portugueses que ficassem em casa, que anulassem festas de casamento, de aniversário, e que a Assembleia se reúna para fazer uma celebração qualquer que ela seja. Vamos dar um péssimo exemplo à sociedade", atirou André Ventura.

"Não se pode proibir a celebração da Páscoa, mantendo a celebração do 25 de Abril, que desrespeita tudo o que são as normas que as entidades públicas recomendam", vincou o deputado do CDS-PP João Almeida, forçando Ferro Rodrigues a reagir. "Uma das coisas que o 25 de Abril trouxe foi a vontade da democracia e da maioria", acentuou o presidente do Parlamento.

A diretora-geral da Saúde foi obrigada a recordar que "está em vigor a regra geral de distanciamento social". Apesar do evidente embaraço, Graça Freitas disse acreditar que "serão observadas as recomendações do distanciamento social".

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