Educação

Sete mil alunos ainda sem professor: docentes afastados poderão voltar, diz ministro

Sete mil alunos ainda sem professor: docentes afastados poderão voltar, diz ministro

Há 7 mil alunos que continuam sem professor, revelou o ministro da Educação (ME), esta quarta-feira, à saída da conferência "Faltam professores! E agora?". Aos jornalistas, João Costa lembrou que dos 19 mil alunos que começaram o ano sem professor, 11 800 já viram o problema resolvido. E revelou a intenção de criar um mecanismo que permita "trazer de volta à carreira professores que entretanto se afastaram" há 10 ou 15 anos e que queiram regressar.

No início do primeiro período, havia cerca de 19 mil alunos sem professor a todas as disciplinas, número que baixou para sete mil nas últimas semanas. Segundo o ME, os maiores problemas concentram-se na região de Lisboa e Vale do Tejo e Algarve, devido a "questões de custo do alojamento".

Durante o discurso de abertura da conferência promovida pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), o ministro tocou em vários pontos - como o ritmo de aposentações que deixa muitas turmas sem professores, a rigidez nas regras de contratação e substituição de docentes, a formação de professores e as poucas vagas para o efeito. Mas garantiu que "o foco do Ministério da Educação é mesmo que os alunos tenham aulas, não pode ser outro!".

"Temos um problema", reconheceu o ministro, para o qual é preciso agir em velocidades diferentes. "Porque o problema tem faces diferentes", afirmou, em concordância com o diagnóstico da presidente do Conselho Nacional de Educação, Maria Emília Brederode Santos.

Abrir mais vagas em mestrados

Um dos objetivos do ministério da Educação é tornar a carreira de professores mais apelativa e estável para que mais professores tenham o desígnio de seguir a "arte de ensinar". "É preciso abrir portas à formação" e aumentar o número de vagas para cursos de professores.

Nesse sentido, será agendada para breve uma reunião "com todas as instituições que formam professores", para rever as condições de acesso aos mestrados em ensino e abrir mais vagas", anunciou o ME.

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Outras das soluções para atacar a falta de professores passa pela criação de um mecanismo que permita que professores afastados do ensino há 10 ou 15 anos possam regressar à carreira, disse o ministro. Há manifestações de interesse nesse sentido. "Há professores disponíveis para voltar", disse.

"Acabar com a casa às costas"

Para criar uma carreira apelativa também se impõe "eliminar esta mobilidade cíclica que não permite que os professores tenham" estabilidade. Aquilo que existe "é uma vida aos bochechos" em que, de quatro em quatro anos, ou mesmo de ano em ano, os professores mudam de escola, resultando em "desinteresse" pela profissão. É preciso "acabar com a casa às costas", disse o ministro João Costa.

No final da conferência foi aberto um período de debate entre investigadores que têm desenvolvido trabalhos na área da educação com vista a apontar soluções para a questão da falta de professores. Presentes na conferência, diretores de agrupamentos de escolas expuseram problemas na contratação de professores, rigidez legislativa e medidas tomadas com pouco conhecimento de causa.

Segundo os especialistas, o cenário será catastrófico se nada for feito, alerta Luísa Loura, da Pordata e Fundação Francisco Manuel dos Santos. Em média, será preciso contratar cerca de 3 500 professores por ano até 2030, revelou Luís Catela, professor na Nova School of Business and Economics. A falta de professores é um problema generalizado no país e não será resolvido com as ideias de sempre, alertou Isabel Flores, do IPPS ISCTE - Instituto para as Políticas Públicas e Sociais: o pior é ter "políticas envelhecidas" para problemas que são "dinâmicos", afirmou.

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