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Covid-19

"Sete mil casos diários? Só sem qualquer medida. Ações têm sido acertadas"

"Sete mil casos diários? Só sem qualquer medida. Ações têm sido acertadas"

Presidente do Instituto Nacional De Saúde Dr Ricardo Jorge (INSA) recorda que estimativas como as do ISPUP são previsões feitas se nada for feito para travar a propagação do vírus. Ainda assim, Governo reconhece esperar "aumento significativo" de casos nos próximos tempos.

O presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, Fernando Almeida, sublinhou esta quarta-feira que projeções como a do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) - segundo a qual o Norte pode atingir os sete mil casos diários de covid-19 na próxima semana - são sempre feitas face à ausência de medidas tomadas pelo Governo. "Não é o que tem vindo a acontecer. As nossas decisões têm sido acertadas", defendeu.

Durante a habitual conferência de imprensa de apresentação dos dados epidemiológicos do país, o responsável reconheceu que o INSA também faz estimativas "em função do RT e do R0", mas que, com as medidas que têm vindo a ser tomadas (nomeadamente em Paços de Ferreira, Lousada e Felgueiras), não é expectável que esses números se concretizem.

O secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, reconheceu, todavia, que Portugal está "numa fase crítica da pandemia", o que exige um esforço especial por parte de todos.

Além disso, recordou que Portugal vai adquirir um milhão de testes rápidos antigénio, que vão começar a ser distribuídos a 9 de novembro e que serão aplicados em "situações muito específicas".

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A propósito do tema, Fernando Almeida sublinhou que Portugal permanece atento ao trabalho que tem sido feito sobre a testagem noutros países europeus e que, no que diz respeito aos antigénio, está mesmo "na linha da frente".

Segundo avançou, o INSA está a desenvolver um estudo de comparabilidade entre testes e as respetivas estratégias de utilização e vai assinar dois protocolos com a Cruz Vermelha: um sobre o fornecimento de testes rápidos e outro sobre a cedência de unidades móveis que podem ser muito úteis, por exemplo, em casos de surto.

O responsável recordou, ainda assim, que os testes PCR (com zaragatoa) "devem ser sempre utilizados em primeira linha", defendendo que os rápidos, aplicáveis em "situações de surto, de elevada incidência de casos e em determinadas instituições, como escolas e lares", permitem às autoridades "ganhar capacidade de ação e reação".

Além disso, explicou que uma pessoa com um resultado negativo num teste rápido pode sempre ser novamente testada, através de um PCR, no caso de começar a apresentar "sintomatologia suspeita".

Questionado em relação a novas medidas de combate à pandemia que possam estar em cima da mesa, Lacerda Sales afirmou que será preciso esperar pelo Conselho de Ministros extraordinário do próximo sábado. No entanto, reconheceu que "poderá haver um aumento significativo dos casos diários nos próximos tempos".

"Todas as medidas serão no sentido de equilibrar a saúde pública e a atividade social importante", frisou.

Por fim, Lacerda Sales informou que as escolas de enfermagem já estão a ser contactadas para que os estudantes possam ajudar o SNS a rastrear possíveis cadeias de transmissão e que, desde o início da pandemia, 6596 profissionais de saúde portugueses já foram infetados. Mais de 4600 recuperaram da doença.

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