Televisão

"Sexta às 9" acusa direção da RTP de boicotar investigação

"Sexta às 9" acusa direção da RTP de boicotar investigação

Sandra Felgueiras, coordenadora do programa "Sexta às 9", acusa a diretora de informação da RTP, Maria Flor Pedroso, de boicotar uma investigação ao informar a visada - Regina Moreira, diretora do Instituto Superior de Comunicação Empresarial - das informações recolhidas pelos jornalistas.

A acusação consta da ata de reunião de 11 de dezembro entre os membros do conselho de redação da RTP, a equipa do programa, Maria Flor Pedroso e a diretora adjunta, Cândida Pinto. O documento, a que o JN teve acesso, relata que o encontro decorreu em ambiente tenso e que Sandra Felgueiras e Maria Flor Pedroso acabaram por se envolver "numa discussão acesa, sendo praticamente impossível reproduzir com fiabilidade tudo o que foi referido".

Após a reunião, o conselho de redação convocou para segunda-feira, 16 de dezembro, um plenário de jornalistas com um único ponto na ordem de trabalhos: "situação diretora de informação/ Sexta às 9". O conselho classificou de "grave" a nova acusação dirigida pela equipa do programa a Maria Flor Pedroso e conclui que "não se encontram reunidas as condições imprescindíveis para um desejável clima de tranquilidade e confiança entre todos os jornalistas da RTP".

Sandra Felgueiras afirmou ao conselho de redação que na reunião de 3 de outubro com Maria Flor Pedroso e Cândida Pinto sobre a programação do "Sexta às 9", as informou que a equipa estava a investigar as suspeitas de corrupção no Instituto Superior de Comunicação Empresarial (ISCEM) "que passava pelo recebimento indevido de dinheiro vivo". De acordo com a ata da reunião do conselho de redação, a diretora de informação terá então informado a coordenadora do programa que tinha dado aulas no Instituto e que conhecia Regina Moreira. Sandra Felgueiras terá dito que até esse momento a diretora do ISCEM apenas sabia que a jornalista Ana Raquel Leitão a queria entrevistar sobre o processo de fecho do instituto, determinado pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES).

No dia 8 de outubro, a jornalista Ana Raquel Leitão terá recebido um telefonema de Regina Moreira a dizer-lhe que tinha falado com Maria Flor Pedroso, que sabia da investigação sobre suspeitas de recebimento indevido de dinheiro vivo e que por recomendação da diretora de informação só iria responder às perguntas do programa por escrito.

"A Diretora de Informação rejeitou liminarmente as acusações e questionou a jornalista Sandra Felgueiras porque reteve esta informação até 11 de dezembro quando já a conhecia desde 8 de outubro", lê-se na ata, que de seguida descreve que Maria Flor Pedroso e Sandra Felgueiras se envolveram numa "discussão acesa".

A diretora de informação explicou ao conselho de redação que deu aulas de jornalismo radiofónico no ISCEM durante 8 anos e garantiu que "não divulgou nenhuma investigação". "Justificou que questionou na secretaria do instituto se estava a ser exigida aos alunos que pagassem os emolumentos em dinheiro vivo e que nesse dia encontrou Regina Moreira" e que lhe terá dito que se não queria dar a entrevista para, pelo menos, responder por escrito às perguntas.

A investigação acabou por ser suspensa após uma das fontes - um arquiteto - ter no dia 3 de dezembro enviado um email à jornalista Ana Raquel Leitão a a informá-la que já não iria dar entrevista por a diretora do ISCEM lhe ter pago os dois milhões de euros que devia.

A divergência entre Maria Flor Pedroso e Sandra Felgueiras não é recente. A 3 de dezembro foram ouvidas na Comissão Parlamentar de Cultura por causa do adiamento da emissão da investigação sobre as suspeitas de crimes económicos na atribuição da concessão de exploração de lítio em Montalegre que envolve o secretário de Estado, João Galamba, e o ex-secretário de Estado, Jorge Costa Oliveira para outubro, depois da campanha eleitoral das legislativas.

No Parlamento e na reunião com o conselho de redação, Flor Pedroso garantiu que a investigação não estava concluída em setembro para ser emitida, até porque a entrevista ao ex-secretário de Estado foi feita na véspera de o programa ir para o ar (11 de outubro). Sandra Felgueiras e a equipa numa carta enviada ao conselho desmentem e garantem que o "lead" da notícia estava feito e não mudou desde setembro.

Na missiva, a equipa insiste que tanto Maria Flor Pedroso como Cândida Pinto recusam responder aos pedidos de reforço da equipa e de atribuição aos jornalistas do Sexta às 9 um subsídio de repórter especial. De acordo com a carta, Sandra Felgueiras na reunião com as diretoras a 3 de outubro terá dito que sem reforço "não teria condições de assegurar o programa depois do Natal".

A ata do conselho de redação frisa Pedroso e Felgueiras se manifestaram na reunião de 11 de dezembro ser muito "resilientes" e não terem intenções de se demitir.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG