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Simulador de condução revela padrões de risco ao volante

Simulador de condução revela padrões de risco ao volante

Um estudo desenvolvido pela Universidade de Aveiro conclui que o stress provocado pela condução em meio urbano estimula comportamentos de risco e a emissão de mais poluentes comparativamente com a condução em autoestradas. Os dados foram revelados por um simulador que monitorizou o desempenho de vários condutores ao longo de vários dias.

Um estudo levado a cabo na Universidade de Aveiro (UA) concluiu que os condutores sentem-se mais confortáveis a conduzir em autoestradas do que a conduzir em ambientes urbanos, onde apresentam também piores desempenhos em termos de emissões de poluentes derivado da condução mais agressiva estimulada pelo stress.

Esta análise dos comportamentos rodoviários levada a cabo em diversos ambientes (urbano, estrada nacional, autoestrada) concluiu ainda que os condutores, apesar de terem estilos de condução diferentes, apresentam reações de condução similares. Segundo as informações divulgadas pela Universidade, "sinais de paragem, lombas e situações imprevisíveis como animais ou peões a atravessar a estrada (fora da passadeira) estão normalmente associadas a acelerações e travagens bruscas e são condições que estão associadas a elevadas emissões de poluentes."

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O estudo foi levado a cabo pelas investigadoras Eloísa Macedo e Margarida Coelho com recurso a um simulador de condução pertencente ao Centro de Tecnologia Mecânica e Automação (TEMA) do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da UA , no âmbito de uma dissertação de mestrado e publicado na conferência internacional TIS Roma 2022.

Fomentar a eco-condução

Em declarações ao JN, a investigadora Margarida Coelho reforça a importância deste estudo para a eco-condução. Os comportamentos de risco na estrada, tais como as acelerações, viragens agressivas e travagens bruscas, decorrentes do stress experienciado pelo condutor fazem aumentar a emissão de poluentes.

O estudo obteve 42 mil segundos de dados relativos à frequência cardíaca dos voluntários através de um smartwatch, recolhidos ao longo de quatro dias em diferentes tipos de ambientes rodoviários. Cada voluntário repetiu este exercício 16 vezes em cada cenário.

Em comunicado, a investigadora reconhece o papel que a indústria automóvel tem tido na redução progressiva das emissões de dióxido de carbono, nas emissões de gases poluentes e no consumo de combustível mas lembra ainda que o comportamento humano mantém-se como um dos fatores determinantes da eficiência energética ao volante.

Ao JN, a investigadora afirma que apesar deste estudo se encontrar ainda em fase preliminar, o estabelecimento da correlação entre estas variáveis pode ajudar a compreender melhor a relação entre as emissões e o estilo de condução utilizado pelos condutores, assim como melhorar a educação rodoviária dos portugueses em matéria ecológica e de segurança na estrada.

De acordo com os dados da Autoridade Nacional para a Segurança Rodoviária, em 2021 registaram-se 30 691 acidentes com vítimas, das quais 401 foram vítimas mortais, 297 foram feridos graves e 35 877 foram feridos leves. A principal infração rodoviária registada em Portugal no mesmo ano foi excesso de velocidade.

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