Pandemia

Desconfinamento pode começar antes da Páscoa, admite Governo

Desconfinamento pode começar antes da Páscoa, admite Governo

O Governo admite o início do desconfinamento antes da Páscoa mas não avança detalhes sobre a reabertura. Os partidos querem um plano claro e organizado. E só Ventura arrisca medidas mais concretas para dia 15.

Atirando para depois da reunião do Conselho de Ministros (na quinta-feira) quaisquer anúncios quanto aos passos que o Governo pretende dar, o ministro da Economia admitiu que "há condições para fazer alguma coisa antes da Páscoa". "Fazer o quê e que ritmo é que é uma decisão que ainda não está tomada e fechada", ressalvou Pedro Siza Vieira, prometendo apenas "prudência" e "gradualismo".

Quem levantou um pouco o véu foi o deputado André Ventura, no final de uma reunião por videoconferência com o Presidente da República, esta quarta-feira, dizendo que "vai haver um sinal de desconfinamento na próxima segunda-feira", em jeito de teste "leve" para o pós-Páscoa. O líder do Chega adiantou que o Governo planeia reabrir creches, jardins de infância e alguns estabelecimentos com venda ao postigo, estando ainda a ser "avaliada" a reabertura de cabeleireiros e serviços de estética. "Será uma espécie de um desconfinamento ainda muito limitado face àquilo que alguns partidos quereriam e que alguns especialistas admitiriam", notou Ventura, condenando as "múltiplas fases" do plano, que teme que confundam as pessoas, "sem saberem o que abre e não abre, onde podem circular e onde não podem".

Partidos querem reabertura clara e planeada

Catarina Martins, coordenadora do BE, considerou não existir "nenhuma razão" para que as creches, o pré-escolas e o 1.º ciclo "não reabram desde já", embora aceite que os restantes níveis de ensino apenas retomem de forma presencial após a Páscoa.

A bloquista deu também conta de que o seu partido tem duas exigências para as escolas: uma é a "generalização dos testes de rastreio", a outra é a inclusão de professores e pessoal não docente nos grupos prioritários de vacinação. Catarina Martins sublinhou que ambas as propostas "já têm acolhimento" por parte do Governo.

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Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, afirmou ser "arriscado " o seu partido fixar um horizonte temporal concreto para desconfinar, uma vez que essa projeção cabe à comunidade científica. No entanto, defendeu que o país tem de evitar o "pára-arranca" que "torna as pessoas mais inseguras".

O líder comunista referiu que o regresso das aulas presenciais em todos os níveis de ensino é "perfeitamente natural", desde que haja garantias de segurança. Jerónimo também quer que o Governo crie "condições" sanitárias para que o comércio reabra o quanto antes.

Francisco Rodrigues dos Santos disse, a partir da sede do CDS, em Lisboa, que "o Governo não deu indicadores concretos sobre o plano que está a preparar". Sobre o novo decreto do estado de emergência, que deverá hoje ser enviado ao Parlamento, indicou "ser rigorosamente igual ao último". "O que vai variar é a execução desse mesmo decreto, que é feita em Conselho de Ministros", acrescentou o líder do CDS-PP (que vai votar favoravelmente), notando que a "novidade" é o plano de desconfinamento, que espera "cauteloso, faseado, simples e claro".

O mesmo rigor e simplicidade pediu André Silva (PAN), depois da reunião com Marcelo, a quem defendeu ser "possível fazer abertura gradual de atividades culturais com metodologias e regras claras", e a quem deixou uma nota "sobre a restrição de encontros de casais que não são casados e que vivem em países diferentes, que estão impossibilitados há meses de se encontrarem porque não podem passar a fronteira". O deputado, que espera uma reabertura "socialmente justa e adequada", também disse que não recebeu uma indicação clara sobre o início do desconfinamento, mas ficou com a ideia de que a reabertura de cabeleireiros e similares não avançará já na próxima semana. "Há varias possibilidades em cima da mesa de reabertura na próxima semana de algumas atividades, mas nada foi dito de forma taxativa."

Alertando, na reunião por videoconferência com o chefe de Estado, que "o pico das consequências económicas e sociais e de saúde, sobretudo de saúde mental, ainda não é conhecido", a deputada do PEV Mariana Silva defendeu um desconfinamento realizado "de forma planeada, organizada e bem comunicada", com medidas reajustáveis, "para que não tenhamos que dar passos atrás neste longo caminho". "O planeamento deve ser também curto, para que possamos ver qual é o resultado das medidas que vão sendo impostas e adaptar também àquilo que vai acontecendo ao longo do tempo ", sustentou.

Do lado da Iniciativa Liberal, ficou a ideia de que "o Governo está ainda muito atrasado e atabalhoado" sobre como desconfinar o país. Cotrim Figueiredo defendeu que o plano "devia ter claramente expressos os critérios e circunstâncias em que as medidas poderiam ou não ser aplicadas". A IL quer acelerar a abertura das escolas, mas só em articulação com "plano de rastreamento, de testes e de vacinação". "Sem isso, os critérios por si só não fazem sentido, especialmente se estivermos a falar de reabrir atividades que implicam grande circulação de pessoas". De resto, Cotrim Figueiredo voltou a defender que o Estado de Emergência é "um instrumento demasiado forte para lidar com uma pandemia" e adiantou que o Governo pediu à Provedora de Justiça um anteprojeto, para ter em vigor até às autárquicas, de uma lei de emergência sanitária, que espera que seja analisada "com muita parcimónia" de forma a não limitar "excessivamente as liberdades".

Marcelo Rebelo de Sousa está a ouvir, esta quarta-feira, os nove partidos com assento parlamentar, por videoconferência, sobre a renovação do estado de emergência.

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