Saúde

Sindicato questiona nomeações de médicos mais jovens

Sindicato questiona nomeações de médicos mais jovens

Sindicato dos Médicos da Zona Sul considera que as escolhas para direções clínicas de hospitais e centros de saúde recaem sobre profissionais jovens sem preparação. No início do ano a tutela recebeu uma proposta sindical para alterar os critérios.

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) questionou o Governo sobre os critérios usados para a nomeação de dirigentes nas instituições de saúde, especialmente numa altura em que se espera uma liderança clínica forte. Um exemplo deste tipo de gestão, citado pelo sindicato, é a nomeação de um médico recém-especialista para presidente do Conselho Clínico do ACES (agrupamento de centros de saúde) Loures-Odivelas.

"A carreira médica passou a ser substituída por indigitações pouco esclarecedoras e médicos mais jovens passaram a ocupar cargos para os quais não possuem a devida preparação", sublinha o SMZS, que faz parte da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), em comunicado emitido este sábado.

João Marques Proença, dirigente do SMZS, frisou ao JN que o sindicato defende uma eleição democrática para as direções técnicas, evitando-se assim as "nomeações político partidárias", de profissionais sem "autoridade científica, técnica e moral".

No documento, o sindicato recorda que, no início do ano, a FNAM apresentou ao Ministério da Saúde uma proposta negocial relativa à governação clínica. Nesta, considera, "são introduzidas melhorias para o funcionamento dos serviços, ao apresentar uma nova formulação da caracterização do "Diretor Clínico", no caso dos hospitais, e do "Presidente do Conselho Clínico e da Saúde, no caso dos ACES".

Para o sindicato, "a adequada governação clínica melhora os cuidados de saúde prestados aos doentes, ao promover uma liderança forte associada à qualificação técnico-científica", em detrimento de "uma visão puramente gestionária das instituições de saúde, sujeita a clientelismos, que se iniciou no ano de 2007 com o Estatuto do Gestor Público, implementado pelo ministro da Saúde, António Correia de Campos".

Este estatuto, refere o comunicado, revelou-se, ao longo dos anos, "uma falácia, ao abrir a porta a nomeações políticas duvidosas para cargos dos conselhos de administração hospitalares e dos órgãos de gestão dos ACES".

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Contactada pelo JN, a tutela optou por não comentar esta questão.

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