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Covid-19

Sindicatos defendem contratação de mais profissionais para vacinação

Sindicatos defendem contratação de mais profissionais para vacinação

O Sindicato Independente dos Médicos e a Federação Nacional dos Médicos insistiram, na manhã desta quarta-feira, na necessidade de contratar mais médicos, enfermeiros e administrativos para assegurar o processo de vacinação contra a covid-19, de forma a libertar os profissionais dos centros de saúde para o atendimento aos seus doentes. Sublinharam ainda que os incentivos dados pelo Governo para a recuperação da atividade em atraso nos cuidados de saúde primários "não é um plano que convença".

"O processo de vacinação é essencial. No entanto, é totalmente impensável e inqualificável usar apenas os médicos e os enfermeiros dos centros de saúde para fazer essa vacinação. Com essa atitude, não temos qualquer dúvida de que os dados de morbilidade e mortalidade se vão agravar", referiu Roque da Cunha, presidente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), aos deputados da Comissão de Saúde, dando como exemplo que, na última semana, identificou no centro de saúde onde trabalha dois cancros do cólon e um de mama.

"Não havendo este trabalho [de acompanhamento dos utentes por parte dos médicos de família] a médio prazo teremos um problema grave. Não queremos pagamentos extra por hora de consulta depois das 20 horas. A acessibilidade das pessoas é mais difícil e os médicos precisam de ter cabeça fria", referiu.

Também Maria João Tiago, médica de família e membro do SIM, lamentou que os cuidados de saúde primários estejam a ser "fustigados" e insistiu na necessidade de contratar médicos. "Neste momento, como médica de família, tenho de responder a seis escalas diferentes: duas para covidários, três para centros de vacinação e uma para atendimento complementar. Quando for uma semana para o covidário ficarão por vigiar crianças com menos de um ano de idade, grávidas e diabéticos", frisou Maria João Tiago, admitindo sentir um aumento da agressividade por parte dos utentes contra os médicos de família.

Para Maria João Tiago, os incentivos dados pelo Governo para a recuperação da atividade em atraso nos cuidados de saúde primários não são uma solução. A portaria, publicada há cerca de um mês, permite o alargamento do horário de funcionamento dos centros de saúde até às 22 horas e aos sábados de manhã.

"O meu centro de saúde está junto a um bairro social com alguns problemas e não tem transportes públicos à porta. Como é que eu vou ver os meus doentes entre as 20 e as 22 horas? Além disso, os médicos de famílias estão cansados: não podem tirar férias e é problemático tirar folgas porque as equipas ficam sobrecarregadas", criticou a médica de família.

Sublinhando que a retoma da atividade assistencial será "um desafio para o SNS", o presidente da Federação Nacional de Médicos alertou que a morbilidade e mortalidade "em excesso" não-covid-19 "serão significativas" e uma parte "não recuperável". Noel Carrilho alertou ainda para o cansaço dos profissionais de saúde, que estão a ser "solicitados de forma continua para esforço extraordinário".

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"Não são situações que se possam perpetuar no tempo até por uma questão de sanidade dos médicos", frisou.

No que toca aos incentivos para a retoma das consultas nos centros de saúde, Noel Carrilho disse ser "um plano fraco" que está "dependente de horários noturnos" e "pouco atrativo para os médicos que estão mais avançados na carreira". "Não é um plano que convença em relação a tudo aquilo que os doentes que ficaram sem o seu médico de família possam vir a necessitar nesta altura", ressalvou o presidente da FNAM.

Subsídio de risco "não está a ser pago na maioria dos casos"

Aos deputados da Comissão de Saúde, os sindicatos revelaram ainda que o subsídio de risco extraordinário criado no âmbito da pandemia "não está a ser pago na maioria dos casos" e que há situações em que é processado "de forma díspar".

"O subsídio de risco não está a ser pago nem processado na maioria dos casos e, quando tem sido processado tem sido de forma díspar. É preciso ver o que está a acontecer e quais são as recomendações que estão a ser dados aos serviços financeiros para o pagamento", afirmou Hermínia Teixeira, do SIM.

Já a médica Rosa Ribeiro, da FNAM, afirmou que o subsídio "não está a ser pago de maneira igual" e apontou um caso de um hospital no qual "foi dito que como metade dos doentes não era covid os médicos iriam receber metade do subsidio".

Fixar médicos no Serviço Nacional de Saúde

A fixação e a captação de mais médicos para o Serviço Nacional de Saúde foram outro dos temas em cima da mesa. O presidente do SIM recordou a existência de 800 mil utentes sem médico de família e alertou para a necessidade de aumentar a capacidade de formação de especialistas, bem como de um maior investimento em equipamentos e infraestruturas.

"Fixar médicos no SNS com uma pistola ou um chicote é uma coisa muito difícil. Nos últimos anos, cerca de 40% dos médicos hospitalares e cerca de 25% de medicina geral e familiar não têm ficado no SNS porque muitos deles não têm sequer a possibilidade de pagar uma renda de casa de 1200 euros se necessitarem de recorrer e se deslocarem para outra região do seu país", criticou Roque da Cunha.

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