ICNF

Síndrome de Noé: reincidência dos acumuladores de animais é de quase 100%

Síndrome de Noé: reincidência dos acumuladores de animais é de quase 100%

Intervenção nos casos de acumuladores de animais é quase sempre feita em emergência, optando-se pela remoção dos animais. Nestes casos, a reincidência é de quase 100%, um fenómeno que o ICNF quer contrariar através de um Guia de Intervenção para este tipo de situações.

Por se tratar de uma questão de saúde pública e de bem-estar animal, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) lançou um guia com orientações que pretendem combater os casos de acumulação de animais, que vivem "sem condições mínimas de cuidado e salubridade".

O documento, divulgado esta quinta-feira, foi feito em parceria com o Ispa - Instituto Universitário, especialista na área das ciências psicológicas e da promoção da saúde mental, com o objetivo de mudar a abordagem tendencialmente punitiva a estes casos, que origina quase sempre uma reincidência.

"Esta forma de intervenção não leva a alterações no comportamento da pessoa acumuladora. Tipicamente a pessoa até pode "desaparecer" durante algum tempo, mas praticamente em 100% dos casos volta a "aparecer" novamente, mais tarde, com o mesmo comportamento", cita-se no guia, que cruza 15 estudos de vários países nesta matéria.

O problema da acumulação de animais, também conhecido como síndrome de Noé, está descrito em termos científicos como uma perturbação em que a pessoa tem tantos animais que "falha em lhes fornecer padrões mínimos de nutrição, saneamento e cuidados veterinários". Casos para os quais o ICNF e o Ispa pedem uma intervenção orientada para a prevenção e para o apoio de autoridades e instituições locais, como abrigos, etc.

"Habitualmente, as denúncias são feitas por vizinhos, veterinários, familiares ou pessoas anónimas e têm como foco preocupações com odores, ruídos, destruição de propriedade por falta de condições sanitárias e/ou preocupações com crueldade ou violência com os animais", lê-se no guia, que explica que a intervenção em situações limite não deve ocorrer.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG