Balanço

Sinistralidade rodoviária não pára de crescer há três anos consecutivos

Sinistralidade rodoviária não pára de crescer há três anos consecutivos

De 1 de janeiro a 15 de junho de 2019, morreram nas estradas portuguesas 212 pessoas, o número mais elevado dos últimos quatro anos para o mesmo período.

Na verdade, a quantidade de acidentes, de vítimas mortais e ainda de feridos graves não pára de aumentar desde 2016. A cifra mais negra vai para Porto, onde se morreu mais do que em todos os outros 17 distritos.

De acordo com a informação periódica da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), publicada na última semana, com dados até 15 de junho, a mortalidade rodoviária não descola dos números negros a que o país parece ter-se acostumado. Morreram 212 pessoas - sendo que este dado corresponde aos óbitos no local do acidente ou no transporte até à unidade de saúde e não aos que que faleceram dias depois.

O Porto segue na frente com 23 mortes. Seguido de Braga e Aveiro, ambos com 19. Viana do Castelo teve o menor número de mortes rodoviárias - três.

Em 2016, no mesmo período, morreram 174. Em 2017, 211. E, em 2018, 196. Nestes quatro anos, o Porto volta a sair mal na fotografia, devido ao número mais elevado: em 2017, nos primeiros seis meses do ano tinham já perdido a vida 32 pessoas.

Sul acumula mais feridos

Quanto aos feridos graves, há um aumento de 14% em relação ao ano passado. Em 2019, houve 907 pessoas com ferimentos de alto grau. Em 2018, foram 800. É de há dois anos o número mais elevado: 930. E em 2016 foram 832.

É no Sul que se encontram os dados mais elevados sobre feridos graves - classificação atribuída a quem sofreu danos corporais que obrigaram a um período de hospitalização superior a 24 horas.

Os distritos de Leiria, Santarém, Lisboa, Setúbal e Faro têm muitos mais feridos daquele grau. O cenário não se tem alterado de forma substancial desde 2016, ainda segundo os mesmos dados. O distrito da capital lidera com 136 pessoas feridas gravemente. Logo depois surge o Porto, com 95, Faro, com 86, e Santarém, 80.

Saliente-se que apesar de o distrito de Lisboa ter tido em média anualmente cerca de mais mil acidentes do que os registados no Porto, este último acabou por ter uma taxa maior dos efeitos mortais desses episódios.

Informação selecionada

No período em questão, houve 58 092 acidentes, dos quais a fatia de leão corresponde a Lisboa (11 789) e ao Porto (10 857). Em comparação, todos os outros distritos apresentaram valores abaixo da metade. Braga, com 4899 acidentes, Setúbal, 4816, e Aveiro, 4780, completam o top cinco. Portalegre, um dos distritos menos povoados e por onde passa a ligação a Espanha, teve o menor número de acidentes: 503.

Estes dados surgiram após muito tempo de ausência de informação sobre sinistralidade comparativa dos últimos anos. No site da ANSR, à exceção destas últimas tabelas agora publicadas, não é possível aceder à informação relativas a cada um dos anos. Só constam relatórios anuais das vítimas a 30 dias e a 24 horas.

Há dez anos que a Autoridade não disponibiliza qualquer relatório anual de sinistralidade na sua página na Internet. v