Cancro

SNS já gastou mais de 200 milhões em medicamentos

SNS já gastou mais de 200 milhões em medicamentos

O Estado já gastou mais de 200 milhões em medicamentos oncológicos de janeiro a outubro. A despesa é uma ameaça à "sustentabilidade financeira do Serviço Nacional de Saúde", diz Fernando Araújo.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde sublinhou, esta sexta-feira, o crescimento da despesa com medicamentos oncológicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Em relação ao período homólogo de 2015, o crescimento é de 9%.

"As doenças oncológicas são uma ameaça à sustentabilidade financeira do SNS", indicou o governante, lembrando que o caminho é a prevenção e o diagnóstico precoce. Só assim se conseguirá reduzir a incidência da doença e a fatura em medicamentos oncológicos e obter melhores resultados clínicos.

Os rastreios nacionais e organizados, de base populacional, são uma ferramenta fundamental para o diagnóstico precoce e podem salvar muitas vidas. Esta sexta-feira, foi lançado o projeto-piloto para o rastreio do cancro do cólon e do reto em 10 unidades de saúde familiar da Maia, de Valongo, da Póvoa de Varzim e de Vila do Conde pela Administração Regional de Saúde do Norte. Também Alentejo e Coimbra já têm em marcha projetos-piloto. O objetivo do Governo é cobrir todo o país.

"Queremos alargá-lo ao país, começando por estes projetos. Vamos tentar que chegue a outros agrupamentos de centros de saúde no próximo ano, de modo a que a população de risco [a partir dos 50 anos] tenha um diagnóstico precoce e melhores resultados do ponto de vista de evolução clínica", afirmou o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, que presidiu, esta sexta-feira, à cerimónia de lançamento do rastreio do cancro do cólon e do reto em Valongo.

O cancro do cólon e do reto mata 11 pessoas por dia. É a segunda causa de morte oncológica com 3760 óbitos em 2014. Fernando Araújo já deu ordem às administrações regionais de Saúde para desenvolver, este ano, medidas para implementar rastreios de base populacional, garantido a sua efetivação (e alargamento a todo o território) até ao fim do próximo ano.

O projeto-piloto da Administração Regional de Saúde do Norte chegará, numa primeira fase, a utentes dos 50 aos 60 anos, que não tenham feito uma colonoscopia nos últimos cinco anos ou que não padeçam de doença intestinal. Envolve 10 unidades de saúde familiar dos agrupamentos de centros de saúde da Maia/Valongo e da Póvoa de Varzim/Vila do Conde, o Instituto Português de Oncologia do Porto e o Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos.

PUB

Até 31 de dezembro de 2017, a Administração Regional de Saúde do Norte compromete-se a alargar o programa a todas as pessoas entre os 50 e os 60 anos da região. Anualmente e até 2020, o rastreio chegará a um novo grupo etário. A população alvo é dos 50 aos 74 anos, face à evidência científica de que mais de 90% dos cancros do cólon e do reto afetam pessoas com idades superiores a 50 anos.

Os utentes, convidados a participar no rastreio, receberão um kit e terão 15 dias para efetuar a colheita de fezes, entregando-a, depois, na sua unidade de saúde familiar. O método de rastreio será através de pesquisa de sangue oculto nas fezes. Se o resultado for positivo ou inconclusivo, será feita uma colonoscopia total. Se o tratamento o exigir, será feita cirurgia.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG