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Só 30% dos estudantes termina a licenciatura em três anos

Só 30% dos estudantes termina a licenciatura em três anos

O alerta é feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE): apenas 30% dos estudantes portugueses termina a licenciatura nos três anos previstos. Num relatório divulgado esta terça-feira em Paris, também é revelado que Portugal é o quarto país com mais bebés, com menos de um ano, a frequentar creches.

Na semana em que 44500 novos estudantes foram colocados na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, a OCDE revela que a taxa de conclusão entre os 35 países da OCDE é de 40%. Mais 10 pontos percentuais que a registada em Portugal. Pior que os portugueses, só os holandeses, belgas, austríacos, eslovenos e chilenos. A melhor taxa de conclusão é alcançada no Reino Unido (71%) e na Irlanda (62%). O relatório "Education at a Glance" classifica como "preocupante" a taxa de abandono, antes do segundo ano do curso, que em Portugal ronda os 12%. Após seis anos de ensino, a percentagem dos que desistem da formação atinge os 26% em Portugal, mais 2 pontos percentuais que a média da OCDE.

De acordo com o relatório internacional, cerca de 25% dos adultos portugueses entre os 25 e 64 anos tem um diploma de ensino superior - uma percentagem aquém da média de 40% da OCDE, apesar da melhoria registada nos últimos anos. Entre os mais jovens (25-34 anos), a percentagem dos que têm um diploma sobe para 35% mas entre os 55 e 64 anos é de 14%. A OCDE frisa que a percentagem de jovens entre os 19 e 20 anos que ingressam no ensino superior, em Portugal, (41%) até é superior à média registada nos países analisados (37%), o problema é a baixa taxa de conclusão da licenciatura em Portugal, que continua a tornar a frequência e conclusão do ensino superior um desafio. Muitos países apostam no regresso dos adultos ao ensino, em Portugal que tem o programa para mais de 23 anos, essa percentagem é ainda reduzida, frisa a OCDE: apenas 4% entre os adultos dos 25 aos 64 anos, menos 3 pontos percentuais que a média registada entre os países com programas similares.

A OCDE alerta ainda que o financiamento por estudante do ensino superior sofreu um corte de 20% entre 2010 e 2016, sendo que durante esse período o investimento por aluno, no ensino Básico e Secundário, se manteve estável.

Nem tudo é negativo na análise. Os dados, relativos a 2017, revelam que 33% dos estudantes estavam inscritos em mestrados e 6% em doutoramentos - mais do dobro e o triplo da média da OCDE que ronda, respetivamente, os 16 e 2%.

Dobro dos bebés em creches e professores mais velhos

De acordo com os dados, cerca de 20% dos bebés portugueses com menos de um ano já frequentam creches - é a quarta taxa mais elevada na OCDE, superada por Israel (31%), Luxemburgo (30%) e Nova Zelândia (22%); e mais do dobro da média da OCDE (9%). A percentagem duplica com bebés de um ano e passa para os 52% no caso de crianças com dois anos, sendo a média da OCDE nestes casos, respetivamente, de 40 e 62%.

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A OCDE sublinha que ao nível da formação, os educadores de infância portugueses são a par dos franceses e polacos dos mais qualificados por lhes ser exigido o mestrado para lecionar.

"Portugal tem dos corpos docentes mais velhos entre os países da OCDE", lê-se no relatório. O alerta não é novo mas volta a ser repetido pela Organização. Mais de 40% dos professores do Básico e secundário têm mais de 50 anos (sendo a média da OCDE de 36%) e só 1% têm menos de 30 anos. Em 2005, sublinha a OCDE para vincar o envelhecimento da classe, cerca de 16% dos docentes tinham menos de 30 anos e apenas 22% tinham mais de 50 anos.

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