Solidariedade

Sobe número de mortos em lares: alerta desesperado para falta de meios

Sobe número de mortos em lares: alerta desesperado para falta de meios

A DGS diz que a partir desta quinta-feira deixa de haver contenção nos testes em lares. A Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade apela a voluntários.

Pelo menos mais três idosos, à guarda de instituições sociais, morreram esta quarta-feira, em Braga, Albergaria-a-Velha e Maia. Há dezenas de outros infetados, designadamente, em Vila Real, Resende, Albergaria e Famalicão, Viseu e Matosinhos. Desdobram-se os pedidos de ajuda e queixas contra o racionamento de testes. A diretora-geral da Saúde garantiu que hoje deixará de haver "contenção".

"Um lar em qualquer localidade agora poderá recorrer ao privado. Farão testes no local mais próximo, quer seja INEM, hospital público ou laboratório privado. Vamos alargar a oferta dos testes dos lares", explicou Graça Freitas, recusando que sejam adotadas "cercas sanitárias" nos lares para evitar a propagação do vírus.

Depois das mortes, designadamente, em Braga e Resende o presidente do lar "O Amanhã da Criança", na Maia, José Manuel Correia, confirmou uma segunda morte na instituição de uma utente, com fortes críticas às autoridades de saúde. "Não consigo perceber como se demora tanto a fazer testes e a dar resultados. Tudo era mais controlável se as entidades competentes respondessem a tempo e horas. Cada minuto que passa é um risco, tudo piora", lamentou.

Mais casos

Em Albergaria-a-Velha, no lar Geriabranca, já houve um morto, dois idosos infetados, oito funcionários com testes positivos e 25 utentes e mais funcionários a aguardarem resultados. Em Ponte de Lima, o lar Nossa Senhora da Conceição lançou um apelo à população para que ajude a instituição, que "atravessa uma grave situação financeira e estrutural". Pede donativos em dinheiro e material de proteção para os 111 idosos que acolhe em regime residencial e aos 70 a que presta apoio domiciliário.

Alarme em Leça do Balio

Duas utentes do Centro Social de Leça do Balio, Matosinhos, foram também ontem hospitalizadas por estarem infetadas com Covid-19, confirmou ao "Jornal de Notícias" Francisco Araújo, presidente da instituição. E 22 funcionários terão de fazer a despistagem.

Em Braga, o Asilo de São José confirmou a morte de uma utente, com 76 anos, e reconheceu a pouca celeridade no acesso aos resultados dos testes feitos aos utentes e profissionais.

Além dessa preocupação, Lino Maia, da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), adiantou ao JN que continuam sem respostas para a falta de recursos humanos e de equipamentos de proteção individual. O dirigente esteve reunido, ontem, com o presidente da República, Marcelo de Sousa.

Segundo Lino Maia, "os voluntários poderão resolver falhas de pessoal". Sublinhou que há profissionais "a oferecerem-se para mais horas de trabalho e a pernoitar nos lares". Versão contrária têm as estruturas sindicais, que denunciam atropelos aos direitos dos trabalhadores com a "imposição de 10 a 12 horas de trabalho e regime de internato" por parte das instituições sociais.

Marcelo lembrou que "o país precisa muito do setor social". "Precisou por razões muito particulares, de modo intenso, durante a crise económica e financeira. Vai precisar, com os efeitos económicos e sociais da crise da saúde", sublinhou, após a reunião com os dirigentes do CNIS e misericórdias.

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