SPM

Sociedade aponta "graves problemas" na reforma do ensino da Matemática

Sociedade aponta "graves problemas" na reforma do ensino da Matemática

A Sociedade Portuguesa de Matemática identificou "múltiplos e graves problemas" na proposta de Novas Aprendizagens Essenciais de Matemática, tendo alertado para as "repercussões diretas no futuro académico dos alunos que venham a ser a ele sujeitos" num parecer emitido sobre o tema.

Em causa está a proposta de Novas Aprendizagens Essenciais de Matemática para o ensino básico, elaborada por um grupo de trabalho. Tal como o JN já noticiou, as novas orientações privilegiam o cálculo mental e a análise crítica de dados estatísticos, reduzem as "contas em pé" feitas em papel, defendem uma maior compreensão dos processos matemáticos nas rotinas do dia-a-dia e uma menor memorização.

Após analisar a proposta, a Sociedade Portuguesa de Matemática diz ter identificado "múltiplos e graves problemas" relativos ao "conhecimento matemático e ao conhecimento pedagógico-didático", com "repercussões diretas no futuro académico dos alunos que venham a ser a ele sujeitos". Para a entidade, a reforma "implica uma redução drástica do nível de profundidade dos temas a abordar conduzindo a uma aprendizagem com falhas de relevo".

PUB

Entre outros problemas, a Sociedade Portuguesa de Matosinhos critica a "desvalorização dos algoritmos dando preponderância à calculadora", a não compreensão da "importância crítica do ensino dos racionais" e a insistência "no erro pedagógico que é a pretensão de se poder usar indiscriminadamente o 'ensino pela descoberta'".

Alerta ainda que, na proposta de reforma, há temas antecipados, outros atrasados ou suprimidos: "esta será a primeira geração de crianças que não aprenderá a fórmula resolvente da equação do segundo grau no ensino básico apesar de gastar bastante tempo a preparar o caminho para compreender a origem da fórmula que nunca será lecionada". A entidade lamenta também a omissão do "teorema Fundamental da Trigonometria, bem como o estudo da Numeração Romana e as Medidas Agrárias".

"Caso venham a ser homologadas, as Novas Aprendizagens Essenciais de Matemática, em vez de contribuírem para a melhoria da aprendizagem, constituirão para o efeito uma séria dificuldade. Na verdade, em termos de conhecimento matemático e pedagógico-didático, não superam falhas e erros identificados nas anteriores Aprendizagens Essenciais", lê-se no parecer a que o JN teve acesso.

No documento, a Sociedade Portuguesa de Matemática alerta ainda que, ao ser dado "destaque às 'ações estratégicas' que o professor deve adotar para ensinar", fica "diluída a sua margem de decisão" enquanto profissional.

"Esta limitação ética, situada na liberdade profissional dos professores, ao ser estabelecida pela tutela, incute, além disso, práticas que nas últimas décadas a investigação especializada tem mostrado serem fortemente prejudiciais à aprendizagem da matemática", refere a entidade, frisando que, além do "direito ao ensino" ficar "em causa", comprometa ainda o "direito à aprendizagem, consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos e, em Portugal, na Constituição da República Portuguesa e na Lei de Bases do Sistema Educativo".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG