Entrevista

Sócrates retoma subvenção vitalícia e acusa justiça de "abuso"

Sócrates retoma subvenção vitalícia e acusa justiça de "abuso"

José Sócrates acusou as autoridades judiciais portuguesas de maus modos por exigirem informações das suas idas ao Brasil. O socialista desloca-se com regularidade ao país por causa de um doutoramento e garante que as viagens são custeadas por si.

O antigo primeiro-ministro, José Sócrates, acusou a justiça portuguesa de "abuso" por exigir informações sobre as viagens regulares que tem feito ao Brasil, desde abril do ano passado, e garante que não tem de prestar qualquer esclarecimento à justiça sobre as idas ao país. "A senhora juíza não me pode obrigar nem pode ir perguntar à polícia sobre onde andei e onde deixei de andar. É apenas um abuso", disse José Sócrates, em entrevista à SIC.

O socialista garantiu, contudo, que não tem problemas em responder às questões sobre as idas ao estrangeiro, se estas forem feitas "com bons modos". "Quando me perguntam como se fosse um Estado policial eu reajo mal a isso", reiterou.

José Sócrates afirmou que as viagens ao Brasil prendem-se com o seu doutoramento em Relações Internacionais na Universidade Católica de São Paulo e que também escreve para uma revista brasileira, assegurando que as despesas são suportadas por si. "Inscrevi-me num doutoramento na Universidade de São Paulo e viajei para isso", garantiu numa entrevista dada à SIC, na quarta-feira. "Sou eu que custeio estas viagens", assegurou, acrescentando que "tem trabalhado para algumas empresas" e retomou a sua "subvenção vitalícia", o que lhe permite custear as deslocações ao Brasil.

Desde junho de 2016 que Sócrates recebia uma subvenção de 2372 euros brutos da Caixa Geral de Aposentações. O socialista deixou de receber a subvenção mensal vitalícia, como ex-deputado, porque esteve a trabalhar no setor privado. Trabalhar e, ao mesmo tempo, receber subvenção é incompatível. O antigo primeiro-ministro reiterou que voltou a receber este valor porque interrompeu a atividade profissional.

As viagens têm sido comunicadas às autoridades judiciais e José Sócrates garante que não tem de o fazer porque não tem termo de identidade e residência neste processo. "Não tenho por uma razão muito simples: não tenho TIR", afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de a sua medida de coação poder vir a ser agravada devido às deslocações ao Brasil, José Sócrates não mostra medo. "Nada temo. Eu não temo as tempestades e não gosto de rastejar", disse.

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