O Jogo ao Vivo

Nacional

Sócrates acusa MP de "selvajaria" e defende Governo de Costa

Sócrates acusa MP de "selvajaria" e defende Governo de Costa

José Sócrates disse, terça-feira, que o Ministério Público "não tem indícios sólidos, nem sólidos nem líquidos" de corrupção. Ex-governante diz que o processo visa afastá-lo da vida pública, talvez com receio de que fizesse frente a um candidato de Direita nas presidenciais e defendeu a legitimada de António Costa como primeiro-ministro. "Gosto deste Governo", revelou.

"A atuação do Ministério Público (MP) para comigo é de agressividade e selvajaria, sem nenhuma base para fazer as imputações que faz. Não tinham nada para me apontar", disse José Sócrates.

"Quando fui detido, não havia nada sobre corrupção. Começaram a falar disso uma semana depois", acrescentou. "Não há nada que me comprometa. Só há depoimentos que me ilibam", disse, fazendo uma resenha do processo.

José Sócrates admitiu que telefonou ao vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, a pedir para receber em audiência um administrador do Grupo Lena, do amigo de infância Carlos Santos Silva, quando ambos estavam de férias.

"Marquei uma entrevista para o grupo Lena apenas porque me mereciam consideração, como fiz para muitas outras pessoas", disse José Sócrates. "Isto foi apresentado como se fosse corrupção. Foi o único indício que apresentaram", disse o ex-governante.

"Ao imputar-me essa acusação, o Ministério Público (MP) foi além do que podia fazer. Não tinha nenhum indício sólido, nem sólido nem líquido. Não podia fazer essa imputação", disse José Sócrates, acusando a investigação de não ter feito nada. "Durante um ano não investigaram. Não falaram com ninguém. Não questionaram a eventual adjudicação", acrescentou.

José Sócrates diz que o MP tem saltado de suspeita em suspeita. "Como o caso Lena não deu nada, passaram para Vale do Lobo", acrescentou. "Fui confrontado com isso, com total estupefação, no segundo interrogatório: o Protal beneficiava o Vale do Lobo", disse, em referência ao Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve.

PUB

"Disse ao procurador que essa imputação era bizarra, porque como o Protal não atribui direitos a privados, não podia ser feito para beneficiar ninguém", disse José Sócrates, revelando a acusação que lhe foi feita. "Inventaram o seguinte: o Protal tem uma cláusula de exceção que foi usada para beneficiar o Vale do Lobo. Esta acusação é completamente disparatada. Trata-se de um plano de pormenor, uma cláusula comum em muitos planos de ordenamento, que por acaso nem foi aplicada no empreendimento do Vale do Lobo", argumentou.

José Sócrates considerou como "um ato sórdido" a ideia de que por ser amigo de Armando Vara teria sido beneficiado por um empréstimo na Caixa Geral de Depósitos (CGD). "É meu amigo. Acredito na inocência dele", argumentou.

Sócrates abordou também o caso do dinheiro na Suíça. "Não é meu, é do meu amigo Carlos Santos Silva", sustentado que o Ministério Público não conseguiu ligá-lo ao dinheiro. "Não encontraram nenhum documento, nada que me comprometesse", disse, ironizando com a situação: "Devo ser caso único no Mundo: tinha 23 milhões de euros numa conta da Suíça e no mesmo ano fiz três empréstimos na CGD."

Já pagou 250 mil euros a Carlos Santos Silva

José Sócrates disse que no primeiro ano em Paris viveu com o dinheiro de uma doação da mãe. "Cerca de 400 mil euros provenientes da venda da casa dela em Lisboa". Depois, com o regresso a Lisboa, mantendo um filho a estudar em Paris, "as despesas aumentaram" e o ex-governante pensava fazer uma hipoteca da casa. "O meu amigo disse que não havia necessidade disso, que me podia ajudar".

José Sócrates disse que tem "uma ideia muito precisa" de quanto lhe foi emprestado e já começou a pagar. "Vendia a minha casa e paguei 250 mil euros ao meu amigo, mas as contas ainda não estão inteiramente saldadas. Planeio pagar tudo o que devo, mas preciso de falar com ele para esclarecer o que falta", disse, mencionado que Carlos Santos Silva fez questão de pagar o funeral do irmão de José Sócrates.

Sobre a titularidade do apartamento de Paris, José Sócrates diz que nesses tempos viveu num apartamento alugado. "Se o apartamento de Carlos Santos Silva fosse meu, eu tinha alugado um apartamento?"

A questão, colocada a José Alberto Carvalho, na TVI, foi a mesma que colocou ao procurador, durante o inquérito. "Procurador disse-me que fiz isso para disfarçar", disse José Sócrates, sustentando que "não sonhava" que estava a ser investigado.

"Tudo isto é uma falsidade", disse José Sócrates, sobre o processo em que é acusado. "Esta investigação só tem devassa", acrescentou, acusando a Direita de estar por trás da "campanha de ataque pessoal" feita na comunicação social.

Direita quis afastá-lo de Belém

"Já fui vítima disto duas vezes. O caso Freeport nasceu no gabinete do então primeiro-ministro, Santana Lopes. O caso das escutas nasceu na casa civil do Presidente da República. Isto sugere uma ação deliberada para me prejudicar, para me afastar da vida pública e prejudicar o PS", disse José Sócrates, admitindo vir a "processar o Estado português".

José Sócrates considerou que o processo visa afastá-lo da vida pública. "Se calhar acharam que queria ser candidato a presidente da República e fazer frente a alguém", disse, sustentando que nunca lhe passou pela cabeça ser candidato a Belém.

O ex-governante falou, também, de política e disse estar "muito satisfeito, por ver um Ministro das Finanças com um discurso de Esquerda", sustentando que o que é preciso é criar emprego para resolver a crise.

"Gosto deste Governo" de António Costa

"Este governo tem toda a legitimidade democrática. Não é primeiro-ministro vírgula, é primeiro-ministro ponto final", disse, em referência ao discurso de Paulo Portas, na Assembleia da República, durante a moção de rejeição ao Governo do PS, cuja legitimidade o líder do CDS-PP questionou.

"Gosto deste governo", disse José Sócrates. "Vejo com agrado este novo diálogo. Este entendimento, que não será fácil", acrescentou.

"Esquerda apreendeu uma lição com o aconteceu em 2011. A Direita deveria ter algum comedimento. Derrubaram um governo, com o apoio da Esquerda, para criar uma crise e chegarem ao Governo", disse. "Foi a primeira vez que um Governo fez um acordo com a Europa e o Parlamento chumbou. Queriam que viesse a troika, era o desejo deles para cumprir a sua ajuda", acrescentou.

A terminar a entrevista, Sócrates disse que ainda não tinha decidido em que candidato votar para as presidenciais, lamentando que o PS não tenha apoiado um candidato.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG