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Sócrates acusa Oposição de "sofreguidão pelo poder" e reafirma que vai a eleições

Sócrates acusa Oposição de "sofreguidão pelo poder" e reafirma que vai a eleições

O primeiro-ministro acusou, esta quarta-feira à noite, os partidos da Oposição de "sofreguidão pelo poder" e de "estreiteza de vistas" ao terem-se unido, durante a tarde, no Parlamento para chumbar o Programa de Estabilidade e Crescimento com que o Governo português já se tinha comprometido com Bruxelas, o que ditou a apresentação da sua demissão ao presidente da República.

Numa declaração sem direito a perguntas na residência oficial de São Bento, Sócrates disse que o chumbo do PEC IV "retira ao Governo todas as condições para governar". E deixou no ar a possibilidade de esta decisão vir a precipitar a necessidade de Portugal recorrer a um pedido de ajuda externa para se financiar. "Um programa de ajuda externa tem consequências profundamente negativas para as pessoas, para as famílias e também para as empresas", disse, avisando que o recurso a essa ajuda trará "medidas muito mais duras de austeridade e contenção" do que as que o Governo se propunha tomar.

O primeiro-ministro demissionário acusou os partidos de "estreiteza de vistas" ao precipitarem a realização de eleições antecipadas e responsabilizou-os pelo facto de "a recuperação económica e o bem-estar das famílias ficarem reféns do calculismo político mais imediato". Sócrates insistiu que "até ao último minuto" mostrou "total disponibilidade" para dialogar e negociar com os partidos da Oposição os ajustamentos necessários a "um consenso que salvaguardasse o interesse nacional" e lembrou os "inúmeros apelos" feitos nos últimos dias para o diálogo. "Lamento que tenha sido o único a fazer esse apelo", disse, numa crítica ao presidente da República que se manteve publicamente em silêncio nos últimos dias, apesar do iminente cenário de crise política.

Sócrates entregou esta noite ao presidente da República o pedido de demissão - num encontro de menos de 20 minutos, que teve lugar no Palácio de Belém após o chumbo do PEC IV no Parlamento -, mas garantiu que "o país não fica sem Governo", referindo-se que o governo continua em gestão, "com a consciência da gravidade da situação para que o país acaba de ser atirado".

Contudo, Sócrates já pensa em eleições e reafirmou a intenção de se apresentar a votos, mostrando-se confiante no "julgamento dos portugueses" e na sua "energia e vontade" para superar a crise que o país enfrenta.

"Agora, e como sempre, eu confio em Portugal", foi a frase com que terminou a sua declaração de cerca de oito minutos, a que assistiram vários meios de comunicação internacionais.

Governo na "plenitude de funções"

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A Presidência da República emitiu um comunicado no final da audiência anunciando o pedido de demissão e salientando que o Governo se mantém "na plenitude de funções até à aceitação daquele pedido".

"Com vista à resolução da situação política decorrente do pedido de demissão do primeiro-ministro, o presidente da República, nos termos constitucionais, irá promover, no próximo dia 25, audiências com os partidos representados na Assembleia da República", lê-se ainda na nota de Belém.

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