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Sócrates acusa PSD de "arrogância democrática" por prometer lugares antes das eleições

Sócrates acusa PSD de "arrogância democrática" por prometer lugares antes das eleições

O secretário-geral do PS, José Sócrates, afirmou este domingo que antes das eleições "não se negoceiam" nem se "prometem" lugares, numa referência à candidatura de Fernando Nobre pelo PSD, considerando que denota "arrogância democrática".

"Antes de o povo falar, antes de haver eleições, não se negoceiam lugares desses, nem se prometem lugares desses. Isso é anteciparmo-nos a uma escolha e uma antecipação a uma escolha não tem nada a ver com humildade democrática, tem a ver justamente com arrogância democrática", afirmou José Sócrates.

Sócrates referia, sem nomear, numa intervenção no início da reunião da comissão nacional do PS, o cabeça-de-lista do PSD por Lisboa, Fernando Nobre, que afirmou que renunciará ao cargo de deputado caso não seja eleito presidente da Assembleia da República.

Para Sócrates, falar de lugares antes das eleições legislativas e antes dos deputados elegerem o presidente da Assembleia, revela "soberba", uma atitude "que aqueles que gostam da democracia não gostam de ver em nenhum comportamento político".

"Os cabeças-de-lista do PS são apenas candidatos a deputados, nenhum deles é candidato à presidência da Assembleia da República", disse José Sócrates.

A comissão nacional, que decorre num hotel de Lisboa, irá eleger a comissão política do partido e discutir os cabeças de lista às eleições legislativas de 5 de Junho, que serão anunciados no final. As listas completas de candidatos a deputado serão depois aprovadas na quarta-feira pela comissão política socialista.

"Os candidatos a deputados pelo Partido Socialista serão isso mesmo, candidatos a deputados, e exercerão o cargo qual quer que venha a ser o resultado das eleições e qualquer que seja cargo para que sejam escolhidos na Assembleia da República", defendeu o líder socialista.

À entrada para a reunião da comissão nacional, o antigo presidente da Assembleia da República Almeida Santos afirmou que "tinha grande apreço" por Fernando Nobre enquanto presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), considerando que está a "estragar a imagem que tinha, que era uma imagem positiva, excelente".

O dirigente socialista e ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, defendeu que o "respeito pelos eleitores e pela Assembleia da República" começa na elaboração das listas a deputados.

"Parece-me estranho que alguém se apresente como candidato a deputado e a primeira coisa que tem a dizer é que provavelmente não exercerá o cargo de deputado. Isso acontece com o doutor Fernando Nobre e, nas listas do PSD, acontecerá também com o doutor Alberto João Jardim", afirmou.

O dirigente socialista José Lello lamentou a "leviandade" do PSD em querer colocar à frente da Assembleia da República um "estagiário", numa referência à falta de experiência política do antigo candidato presidencial Fernando Nobre.

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