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Sócrates admite que aperto do cinto pode ir até 2013

Sócrates admite que aperto do cinto pode ir até 2013

O Governo "não hesitará em manter as medidas de austeridade até 2013 se for preciso", garantiu ontem, terça-feira, José Sócrates, em entrevista à RTP. Disse ainda que não mentiu sobre o aumento dos impostos, "a realidade é que mudou nas últimas três semanas".

"A 30 de Abril, as obrigações do tesouro pagavam 5% de juros e, uma semana, depois pagavam 7,2% ou 7,3%". Foi por isso que o Governo teve de aumentar o IVA e o IRS. Foi esta a explicação dada pelo primeiro-ministro, na RTP, depois de, no final de Abril, ter dito no Parlamento que não haveria aumento de impostos. Era assim ou cortar nos salários dos funcionários públicos, como fizeram outros países europeus, justificou.

A outra possibilidade seria reter o 13º mês ou taxar mais as empresas, e como "a redução de 1% no défice tem de ser feita em seis meses", foi preciso mexer nos impostos. Sobre o aumento da taxa do IVA nos bens essenciais, esta foi a opção preferida, ao aumento para 22% da taxa máxima. Porque tal teria "um efeito recessivo na economia", sublinhou. Sócrates insistiu que dia 7 de Maio, Bruxelas se apercebeu que estava a ocorrer "um ataque ao euro" e que era "necessário agir em conjunto", rejeitando que o caso de Portugal se compare ao da Irlanda.

"Eu fiz tudo para não aumentar os impostos, mas a realidade mudou nessas três semanas", repetiu, mas sem pedir desculpa ao país. "Ninguém me ouvirá pedir desculpas por estar a fazer o que deve ser feito". Cavaco Silva fê-lo, disse José Alberto Carvalho. "Cada um fala por si", foi a resposta. E não considerou o desemprego a maior chaga nacional. "O problema número um de Portugal é o crescimento económico, não é o desemprego", disse, vacilando na diferença entre os dados do INE (quase 600 mil desempregados) e os do Instituto de Emprego, inferiores.

Afirmar sobre o acordo com Pedro Passos Coelho que são precisos dois para dançar o tango, "foi uma metáfora", que teve de explicar, adiantando que para servir bem o país teve de fazer este acordo com o PSD. Porque "eu não preciso de ajuda para governar", concluiu.

Manteve-se inflexível quanto ao avanço do TGV, entre Lisboa e Madrid, revelando que o novo aeroporto terá de esperar pela estabilização do mercado financeiro.

Sobre o inquérito parlamentar ao negócio da TVI, porque não assumiu desde o início que sabia do mesmo pelos jornais, mas não deu instruções? "Vi notícias às quais não sabia se devia ou não atribuir fundamento", justificou. E estará preparado para as conclusões da comissão? "Estou preparado para tudo e nada temo", disse.

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