José Sócrates

Sócrates disponível para entendimento com o PSD

Sócrates disponível para entendimento com o PSD

O primeiro-ministro afirmou, terça-feira à noite, em entrevista à TVI, que está disponível para entendimentos com qualquer que seja o líder do PSD e lamentou que Pedro Passos Coelho não perceba os apelos à unidade e os confunda com uma ideia de união nacional.

José Sócrates falava em entrevista à TVI, feita pela jornalista Judite de Sousa a partir da residência oficial de São Bento.

O primeiro-ministro demissionário considerou "não só possível como desejável um entendimento entre PS, PSD e outros partidos que se disponham a cooperar".

A seguir, lamentou que o presidente do PSD, aparentemente, não tenha percebido os apelos ao diálogo feitos pelo chefe de Estado, Cavaco Silva e pelos ex-Presidentes da República. "Ninguém falou em União Nacional. O doutor Pedro Passos Coelho parece não ter percebido aquilo que foi dito, porque a União Nacional foi fruto de uma ditadura. Do que se falou foi de unidade, preservar um espaço de entendimento, de consenso que permita ao país enfrentar as dificuldades que tem", disse.

Neste ponto, o líder socialista salientou a importância de os políticos porem de lado as questões pessoais e referiu que está disposto a entender-se com os sociais-democratas "qualquer que seja o líder do PSD".

Atitude de "mau gosto" do PSD

Depois deste sinal de abertura, José Sócrates deixou uma dura crítica ao PSD por fazer depender a concertação política de um seu eventual abandono da liderança do PS. "Esse comportamento é verdadeiramente inusitado, porque nos últimos 37 anos da nossa democracia nunca nenhum partido definiu condições para um entendimento com outro baseado na mudança de liderança do outro", declarou, antes de caracterizar a atitude dos sociais-democratas como de "mau gosto".

"Cheguei ao Governo não foi pela escada de serviço, ganhei eleições. Essa atitude [do PSD] não tem nada de democrático", referiu.

O primeiro-ministro voltou a criticar o PSD, insurgindo-se com o teor das cartas públicas que têm sido dirigidas ao Governo a exigir dados suplementares sobre as contas públicas.

"Essa atitude do PS nem tenho palavras para a classificar, pois visa apenas fazer guerrilha ao Governo num momento destes [negociações com a troika europeia]. É inacreditável que, ao longo destas semanas, o PSD apenas se tenha preocupado em levantar suspeitas sobre o país e as instituições, dúvidas e incertezas, quando ainda hoje o Eurostat validou as contas portuguesas", afirmou.

Na parte final da entrevista, Sócrates foi questionado se tenciona expor a sua família na próxima campanha eleitoral e o secretário-geral do PS recusou em absoluto a ideia. "Esse não é o meu género, até porque nestes seis anos procurei sempre preservar a intimidade da minha família - e faço-o por respeito à minha família e por amor aos meus filhos, sempre os procurei proteger da exposição mediática. Quem vai a eleições não são as famílias, mas as pessoas, as suas qualidades e as suas ideias", respondeu.

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