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Sócrates diz que redução da taxa social única "está em estudo"

Sócrates diz que redução da taxa social única "está em estudo"

O secretário-geral do PS afirmou, esta quarta-feira, durante o debate com o líder do Bloco de Esquerda, que apenas aceitará uma descida "pequena" e "gradual" da taxa social única e que essa medida está "em estudo".

José Sócrates assumiu esta posição depois de Francisco Louçã o ter confrontado com uma carta escrita pelo Governo (assinada pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos) ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e na qual, segundo excertos lidos pelo líder do Bloco, o executivo se comprometia com uma "grande" redução da taxa social única (TSU) já em 2012.

Na resposta, José Sócrates recusou uma descida da TSU nos moldes preconizados pelo PSD, dizendo que uma redução nessa ordem seria transferir a diminuição dos impostos das entidades patronais para um aumento dos impostos da generalidade dos portugueses através do IVA.

Ao longo do debate, Louçã exigiu por várias vezes respostas a Sócrates sobre esta medida, mas o líder socialista argumentou que a medida está "em estudo", não está calendarizada, nem quantificada, contrapondo que uma descida da TSU terá de ser sempre "pequena" e "gradual".

Sem convergência

A economia dominou totalmente o debate entre Sócrates e Louçã. Ao longo de 45 minutos de debate, na SIC, não houve praticamente momentos de convergências entre o coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, e o secretário-geral do PS, José Sócrates.

Tal como fizera segunda-feira com o presidente do CDS, também esta quarta-feira José Sócrates se queixou de o seu adversário não ter ainda programa disponível para ser discutido publicamente, considerando essa atitude desleal do ponto de vista democrático.

Mesmo assim, Sócrates socorreu-se do texto da moção de Francisco Louçã aprovada na recente Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, começando por se surpreender com a conclusão classista inscrita nesse documento de que "o problema de Portugal é a sua burguesia".

A seguir, o secretário-geral do PS pegou na defesa que o Bloco de Esquerda faz da renegociação da dívida externa nacional para caracterizar essa posição de Louçã como "irresponsável".

"Reestruturar a dívida significa não pagar. Significa calote aos credores, colapso do sistema financeiro. Significaria um prejuízo gigantesco, que seria pago com desemprego e miséria", sustentou Sócrates.

Na resposta, Francisco Louçã referiu que parte da imprensa financeira internacional também defende a reestruturação das dívidas de Portugal e da Grécia, argumentando, depois, que há juros inaceitáveis na ordem dos 10 por cento que não devem ser pagos.

Francisco Louçã sustentou ainda que uma auditoria deveria aferir qual a parte da dívida que deveria ser paga e qual a que deveria ser renegociada e levantou a suspeita que uma parte da dívida poderá resultar de corrupção, dando como exemplo o processo de aquisição de submarinos.

"Este acordo [de Portugal com as instituições internacionais] não pode ser pago. Cria recessão", acrescentou, antes de lembrar afirmações de Sócrates quando prometeu "150 mil empregos" em 2005, ou, mais recentemente, quando disse que entre si, primeiro-ministro, e o FMI havia dez milhões de portugueses.

Da parte de Sócrates, saiu a acusação ao Bloco de Esquerda de ter feito do PS o seu principal inimigo ao longo dos últimos dois anos e de ter sido "muleta da direita" ao votar contra o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) e ao abrir uma crise política.