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Sócrates é ativo tóxico? "O que é tóxico é não tentarmos" a maioria, diz Costa

Sócrates é ativo tóxico? "O que é tóxico é não tentarmos" a maioria, diz Costa

O líder do PS respondeu este sábado ao ceticismo de José Sócrates depois de, na véspera, este ter mostrado reservas sobre as hipóteses de os socialistas chegarem à maioria absoluta. Em campanha em Leiria, António Costa disse não ter visto a entrevista do antigo primeiro-ministro, mas considerou ter o dever de tentar alcançar esse resultado.

Questionado sobre se Sócrates é hoje um "ativo tóxico" do PS, o secretário-geral socialista reagiu, referindo-se às hipóteses de chegar à maioria absoluta que deseja: "O que é tóxico é não votarmos, o que é tóxico é não acreditarmos".

Costa acredita que esse desfecho poderá mesmo verificar-se, permitindo ao PS manter "uma política de valorização do rendimento das famílias, seja pelo aumento dos salários, seja pela redução dos impostos".

A economia tem sido, de resto, um tema recorrente no discurso de Costa durante a campanha. "Estou muito determinado em melhorar o resultado das contas dos portugueses", frisou, quando questionado sobre se pretende melhorar o resultado eleitoral do PS em Leiria. Em 2019 o partido elegeu quatro deputados no distrito, menos um do que o PSD.

Sobre o tema Sócrates, o líder socialista foi repetindo que não teve "oportunidade" de ver a entrevista que o antigo primeiro-ministro tinha dado, na noite anterior, à CNN. "Como sabem, tenho estado na campanha", referiu. Na entrevista, Sócrates aconselhou Costa a "não desmerecer a única maioria absoluta" que o PS teve, conquistada por ele próprio em 2005. Costa não reagiu.

Em lugar disso, preferiu desferir novo ataque ao líder do PSD, na linha do que tem feito nos últimos dias: "A ideia do dr. Rui Rio de que o país é competitivo numa base de baixos salários já não existe no mundo de hoje. Hoje, a competitividade assenta nas qualificações e na inovação. E, para isso, é fundamental melhorarmos os rendimentos, porque só com mais rendimentos fixamos o talento que estamos a criar", defendeu Costa.

Arruada terminou e Costa foi comprar castanhas

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Em Leiria, o dia começou com uma arruada. Embora a comitiva tenha contado com menos gente - algumas dezenas de pessoas - do que a do dia anterior, na Guarda, juntou mais jovens, a maioria da Juventude Socialista. Um deles comentava a atualidade política com outro: "A Iniciativa Liberal tem um discurso muito bonito, não dizem é o que querem mesmo fazer...".

No final, Costa foi comprar castanhas, mas a vendedora recusou receber o dinheiro que António Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde e cabeça de lista do PS pelo círculo local, lhe estendeu: "Ó doutor, não quero!", atirou, revelando que, em tempos, este tratou a sua filha a um problema de saúde. "E foi bem tratada?", questionou Costa. A mulher garantiu que sim.

Costa desceu uma das principais ruas de Leiria, parando para cumprimentar comerciantes ou transeuntes. Dirigiu-se várias vezes a crianças pequenas: "A escola está a funcionar bem? Temos de ter cuidado agora! Andar de máscara e lavar as mãos, não é?". Por norma, a resposta que recebia era uma anuência envergonhada.

Um adolescente, este mais audacioso, quis saber o percurso trilhado por Costa até chegar a primeiro-ministro: "Onde é que começou?". "Na JS, precisamente", retorquiu o líder socialista. Depois enumerou as diferentes funções que exerceu, incluindo o mandato de deputado que conseguiu pelo círculo de Leiria, em 2002.

Encontro com carrinha do PSD

A ação de rua decorreu ao som de palavras de ordem como "Costa, avança, com toda a confiança!" ou "O Costa vai ganhar maioria para governar!". Mas quem não integrava a caravana nem sempre mostrava o mesmo entusiasmo: "Tenho de ir para o meio da rua para eles andarem no passeio...", resmungou uma idosa, ao passar pelo jornalista do JN.

Os gritos de apoio a Costa esmoreciam por vezes, para logo depois voltarem a ser entoados. Um dos momentos de maior acalmia foi quebrado por uma música que se aproximava, vinda de uma carrinha do PSD que transportava uma pancarta com a imagem de Rui Rio. "PS! PS! PS!", reagiu a comitiva socialista. A viatura voltaria a cruzar-se com a caravana do PS alguns minutos depois.

Até final, Costa - sempre acompanhado pela mulher - foi contactando com mais leirienses. A um deles falou da descida de impostos: "Vamos ver se consegue", respondeu o homem, apoiante do PS mas cético quanto a um alívio fiscal. O secretário-geral socialista não desarmou, aproveitando para apontar a mira à Esquerda: "Estava no Orçamento do Estado. Era só aprovar".

Um outro homem aproximou-se de Costa para lhe dar força e pedir que este "vá revertendo todas as leis da troika". O tema, recorde-se, foi um dos que levaram ao afastamento entre PS, de um lado, e BE e PCP, do outro. Costa agradeceu e direcionou a resposta para o tema que mais tem repetido por estes dias: "É por isso que é fundamental continuarmos a aumentar os rendimentos", frisou.

A comitiva socialista visitou ainda uma fábrica da Marinha Grande. À tarde, António Costa ruma a Espinho, tal como Rui Rio. Aí, o líder do PS tem encontro marcado com Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e cabeça-de-lista por Aveiro. O dia encerra com um comício em Viseu.

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