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Sócrates exorta Oposição a dizer medidas concretas para restabelecer confiança

Sócrates exorta Oposição a dizer medidas concretas para restabelecer confiança

O primeiro-ministro lamenta que a Oposição tenha "deitado para o lixo" o apoio que o Governo já tinha conseguido às medidas para atingir os objectivos do défice. Um gesto "inconsciente, irreflectido e irresponsável", frisou, apelando aos partidos que chumbaram o PEC que "digam as medidas em concreto que pretendem tomar" para "restabelecer a confiança dos mercados".

Numa declaração aos jornalistas em S. Bento, pouco depois das 19 horas, José Sócrates começou por dizer que a reacção dos mercados face ao chumbo do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), nomeadamente a descida do 'rating' de Portugal, "confirmou o que o Governo tinha anunciado".

"A oposição decidiu abrir uma crise política, fê-lo sem razão e sem alternativa e, por isso, a situação que estamos a viver é pior do que tínhamos antes, porque a uma crise económica somou-se uma crise política, que gera naturalmente incerteza", sublinhou.

"Foi um gesto inconsciente, irreflectido e irresponsável", "apenas pela cobiça do poder", criticou.

Agora, "não se trata apenas de os partidos dizerem que se comprometem com os objectivos do défice, porque isso já foi muitas vezes dito. O que é importante é que digam quais as medidas para chegar a esse défice - isso é que ajudaria o país", declarou.

Lamentando que a Oposição tenha "deitado para o lixo o que o Governo tinha conseguido, que foi o apoio do BCE e da UE" às medidas para atingir as metas do défice, José Sócrates exortou: "se querem reforçar a confiança que digam as medidas em concreto e não apenas ideias vagas. Que digam o que pretendem fazer após as eleições".

"O pior que pode acontecer é esta barafunda, em que há apenas ideias vagas, em que o PSD fala de aumentar o IVA de reduzir o 13º mês, depois fala da Caixa Geral de Depósitos. De uma vez por todas, digam o que pretendem, porque, isso sim, daria confiança aos mercados e aos nossos parceiros da União Europeia", apontou.

Quanto às projecções do Banco de Portugal, que apontam para uma recessão de 1,4% em 2011, o primeiro-ministro demissionário considerou que "as projecções são sensivelmente as mesmas" que as anteriores e que "são projecções, não são resultados".