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Sócrates queria ser presidente e critica Marcelo

Sócrates queria ser presidente e critica Marcelo

Não o diz de uma forma clara e direta, mas fica a ideia de que José Sócrates sonhava com a presidência da República, segundo uma das respostas à entrevista que deu ao jornal "El País".

Ao jornal espanhol, o ex-primeiro-ministro afirma estar convencido que a acusação de que é alvo tem fortes motivações políticas. E é levado a dizer: "O objetivo era impedir a minha candidatura à presidência do país e que o Partido Socialista não ganhasse as eleições". Conclui: "Conseguiram os dois".

José Sócrates aproveita para lançar as suas farpas e Marcelo de Rebelo de Sousa é um dos alvos. Critica a sua estratégia de sedução e chama-lhe "personagem". "Nunca me agradou a sua necessidade de agradar a todos. O presidente Marcelo sempre foi uma personagem em busca de um papel político", afirma. "Já o descobriu finalmente: o papel dos afetos". Por outro lado, acrescenta: "Vejo o alvoroço diário da sua presidência como uma necessidade de querer sublimar a frustração de ter sido afastado da política durante 20 anos".

José Sócrates aproveita para repetir o que tem sido pedra de toque da sua defesa: de que esteve detido sem acusação formada, que em nenhum país europeu se passa nove meses sem uma acusação. "Um ano e meio depois não são capazes sequer de apresentar a acusação", remata.

A propósito das fugas de informação do processo, Sócrates chama ao Ministério Público "uma máquina sinistra que promove a culpabilidade pública através da imprensa cor-de-rosa, em vez de velar pela presunção de inocência, provoca a condenação popular antes de qualquer julgamento".

O ex-primeiro-ministro pronuncia-se ainda sobre o que se está a passar no Brasil. "Até a presença de Lula na apresentação do meu livro parece delituoso. Mas é curioso o paralelismo", refere, "como no meu caso, houve detenção abusiva e querem julgamentos populares sem possibilidade de defesa".

Particularmente, "o que ocorre no Brasil é uma tentativa de destituição sem delito, sem fundamento constitucional. O "impeachment" de Dilma Rouseff é uma vingança política da direita, que não aceita a derrota nas urnas. Não basta fazer acusações, é preciso fazer julgamento; condenar alguém sem direito a defesa acontece no Brasil e em Portugal, condenar sem julgar; destituição sem delito e sem fundamento".

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