José Sócrates

Sócrates quis adiar pedido de ajuda externa para depois das eleições

Sócrates quis adiar pedido de ajuda externa para depois das eleições

O primeiro-ministro afirmou, esta terça-feira à noite, em entrevista na TVI, que, após a abertura da crise política, procurou adiar ao máximo o pedido de ajuda externa para que este programa fosse negociado já por um Governo legitimado resultante das eleições. Sobre o ministro das Finanças, José Sócrates garante que contará com o "amigo" Teixeira dos Santos "para toda a vida".

Questionado pela jornalista Judite de Sousa, numa entrevista a partir da residência oficial de São Bento, sobre os motivos que adiou o pedido de ajuda externa já após a rejeição do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) na Assembleia da República e a consequente abertura de crise política, José Sócrates respondeu que sempre achou que, "se fosse possível financiar, quer o Estado, quer as nossas instituições bancárias, até haver eleições, teria sido preferível pedir ajuda depois das eleições".

"Dessa forma tudo o que se está a passar agora ocorreria com um Governo legitimado e não por um Governo de gestão. Durante um ano e meio fiz tudo para que isso não acontecesse e dei o meu melhor para que isso não acontecesse", declarou.

Ainda sobre o momento em que tomou a decisão de pedir ajuda externa, o primeiro-ministro situou-a no momento em que se verificou que "abruptamente os juros tinham subido muito e, principalmente, quando a desvalorização do 'rating' dos bancos os colocou numa situação de dificuldade ao nível do financiamento".

"A verdade é que os nossos bancos tinham já dificuldade em financiar-se junto do Banco Central Europeu (BCE). Isso poria Portugal exposto a riscos que achei que não podíamos continuar a correr - e esses riscos são muito rápidos", justificou.

Sócrates nega divergências e rejeita intrigas

Em dois períodos distintos da entrevista, José Sócrates foi questionado sobre as suas relações com o ministro de Estado e das Finanças. Começou por negar que tenha havido qualquer divergência com Teixeira dos Santos em relação ao "timing" para o pedido de ajuda externa.

De acordo com a versão do líder do executivo, no dia em que Teixeira dos Santos defendeu em entrevista ao "Jornal de Negócios" a necessidade de pedir ajuda externa já antes o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, tinha aberto essa porta e ele próprio tinha previsto o anúncio ao país dessa decisão.

José Sócrates também procurou retirar qualquer significado político ao facto de Teixeira dos Santos não fazer parte das listas de deputados do PS, considerando o ministro de Estado e das Finanças como seu amigo e frisando que contará com ele "para toda a vida".

Classificou ainda como "intriga" a ideia que o ministro das Finanças se encontre subalternizado nas negociações com a "troika", dizendo que ele lidera a delegação do Governo e que o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, tem o papel de coordenação no diálogo com o presidente da República e com as diferentes forças partidárias.

Em relação ao resultado das negociações com o Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu, o primeiro-ministro referiu-se à condição de o actual Governo estar em gestão, razão pela qual disse que o programa de ajustamento terá de merecer o acordo dos partidos do arco governativo.

Já em relação ao papel do presidente da República no decurso das negociações, o líder do executivo disse gostaria que Cavaco Silva "fosse colocado acima de tudo isto".

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