Doações

Solidariedade cobre cerca de 3,5% do total de encomendas do SNS

Solidariedade cobre cerca de 3,5% do total de encomendas do SNS


A solidariedade dos portugueses e a internacional, no âmbito do combate à pandemia Covid-19, traduziu-se na doação de cerca de 3,5% do total das encomendas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), revela ao JN a tutela.

Além de equipamentos de proteção individual e de ventiladores, foram doadas comunicações telefónicas aos profissionais de saúde, arcas frigoríficas próprias para conservar testes e gasolina para veículos do SNS.

O Ministério da Saúde (MS) explica que, até ao dia de ontem, foram encomendadas cerca de 52 milhões de máscaras tipo II e mais de sete milhões de máscaras de respiradores FFP2 e FFP3. Segundo o site do Infarmed, estas duas últimas garantem níveis de proteção mais elevados aos profissionais de saúde que contactam com doentes infetados. A máscara FFP2 garante uma eficiência "média", enquanto a máscara FFP3 assegura uma eficiência "alta".

247 ventiladores doados

"Quanto aos ventiladores, dos cerca de 1538 previstos para reforçar o SNS, 1151 são compras da ACSS [Administração Central do Sistema de Saúde], 247 doações e 140 empréstimos", adianta o MS. Como já foi anunciado publicamente, o SNS recebeu ainda a oferta de camas da Movijovem (pousadas da juventude) e alguns hotéis disponibilizaram quartos para alojar profissionais de saúde. Houve também pessoas que se ofereceram como voluntárias, "em áreas que venham a ser necessárias".

"Não podemos deixar de referir o importante papel da sociedade civil, seja através de doações individuais, seja de empresas, nacionais e estrangeiras, que muito têm contribuído também para este esforço", reconhece o MS.

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Dinheiro não

A tutela sublinha, contudo, que "não são aceites donativos em dinheiro". Face à tipologia e ao volume de ofertas, as Forças Armadas estão a dar apoio logístico no armazenamento, gestão e distribuição dos bens.

Os interessados em contribuir para o combate à Covid-19 são aconselhados a aceder à página https://covid19.min-saude.pt/, onde encontram um espaço específico para a oferta de dispositivos médicos e equipamentos de proteção individual (EPI) ao SNS, e outro para doações.

As empresas que queiram produzir EPI têm de cumprir requisitos de segurança e de desempenho, normas europeias ou outros requisitos legais. São ainda indicados os contactos de fornecedores de matérias-primas.

Máscaras, batas, fatos de proteção integral, cogulas [proteção da cabeça, da cara e do pescoço, com abertura nos olhos], toucas, manguitos [proteção do antebraço], proteção de calçado, luvas, óculos, viseiras, álcool-gel e zaragatoas [espécie de cotonete para recolha de secreções] são os equipamentos médicos que constam na lista divulgada no site Covid-19.

Apesar disso, o MS garante que "o Governo tem empenhado todos os esforços para garantir a existência de todos os meios disponíveis, para responder às necessidades dos cidadãos".

Vizinho Amigo - O projeto Vizinho Amigo foi criado por 15 estudantes universitários para proteger os grupos de risco da Covid-19, através da compra e entrega de produtos de mercearia e medicamentos. Tem mais de cinco mil voluntários no país.

Banco Alimentar - O Banco Alimentar, com o apoio da Entreajuda, criou uma Rede de Emergência Alimentar, para apoiar as pessoas mais vulneráveis que ficaram privadas da assistência alimentar que recebiam, devido à pandemia causada pela Covid-19.

Ventiladores - Líder mundial no setor da tecnologia médica, a Medtronic anunciou a partilha pública das especificações técnicas e fabrico do ventilador PB 560, para permitir que outras indústrias os possam fabricar.

Conta solidária - A Ordem dos Médicos e a Ordem dos Farmacêuticos criaram uma conta solidária para apoiar aqueles que cuidam da sociedade, através de donativos financeiros, equipamentos hospitalares e equipamentos para proteção individual. A conta da CGD tem o seguinte IBAN: PT50 0035 0646 00017662 930 21.

Costa não quer que se repitam os desperdícios de Pedrógão Grande

A questão foi levantada pelo próprio primeiro-ministro, quando apelou para que todos os donativos destinados ao combate à Covid-19 fossem articulados com as administrações regionais de Saúde.

Em declarações à Lusa, sublinhou a importância de os recursos não serem desperdiçados e chegarem a quem mais precisa. Contudo, não existe nenhuma entidade, sob alçada do Governo, à qual se possa doar dinheiro, para evitar o que se passou em Pedrógão Grande, após os incêndios de 2017.

"Respondemos única e exclusivamente pelos equipamentos que adquirimos para o SNS e que distribuímos ao SNS", afirmou António Costa, na quinta-feira. "Não podemos responder pelos mais diversos movimentos, de iniciativa espontânea, que se têm envolvido na distribuição de donativos por parte de terceiros."

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