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Sondagem dá 0,3% ao CDS. Líder ameaça fazer queixa

Sondagem dá 0,3% ao CDS. Líder ameaça fazer queixa

O líder do CDS anunciou este domingo que vai fazer uma queixa na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), depois da publicação de uma sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF que atribui 0,3% das intenções de voto aos centristas.

Francisco Rodrigues dos Santos escreveu uma mensagem nas redes sociais, em que dá conta de uma ação para que a ERC "tome as medidas que se impõem para regular os procedimentos das empresas de sondagens, para evitar truques, falta de rigor técnico e "palhaçadas" como os que lemos hoje".

O JN, que fez a sua própria análise aos resultados da sondagem, e os publicou, por não ter qualquer dúvida sobre a sua credibilidade, pediu mesmo assim à Aximage um comentário às acusações do presidente do CDS. Os seus responsáveis lembram que "a sondagem respeita os critérios técnicos e científicos exigidos para a realização de sondagens. O resultado do CDS em dezembro está em linha com a tendência de queda exibida desde julho de 2020".

Recorde-se que o CDS sofreu um enorme desgaste nas últimas eleições legislativas, em outubro de 2019, caindo para os 4,22% e os cinco deputados eleitos para a Assembleia da República. Um resultado que esteve na origem da saída da líder de então, Assunção Cristas, que acabaria por ser substituída por Francisco Rodrigues dos Santos. De então para cá, as previsões eleitorais foram sendo cada vez piores.

Como lembram os responsáveis técnicos da Aximage, "em julho, a sondagem da Aximage apontava para uma intenção de voto de 2,1%, valor que cai para 1,2% em setembro e outubro e para 1% em novembro. Em dezembro fica-se pelos 0.3%. Esta é a fotografia do momento".

O líder do CDS acrescentou, na sua publicação nas redes sociais, que o partido já superou os estudos de opinião, nas últimas eleições regionais dos Açores, que "desmentiram essa morte e contrariaram todas as sondagens - a Aximage dava ao CDS, naquela altura, 1%".

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Francisco Rodrigues dos Santos parece estar a confundir o resultado que teve nos Açores (5,51%), com o valor que lhe foi atribuído no barómetro da Aximage para o JN, DN e TSF, nos meses de setembro e outubro (1%). Sucede que este valor é uma projeção para umas eleições a nível nacional e não para as eleições regionais, sobre as quais o JN não publicou qualquer sondagem. Da mesma forma, a Aximage não conduziu qualquer estudo de opinião sobre as eleições açorianas.

Na sondagem tão contestada pelo líder dos centristas, o PS é apontado como virtual vencedor de umas eleições, com 38,5% das intenções de voto. Segue-se o PSD, com 25,4%, uma recuperação de cerca de ponto e meio relativamente ao barómetro de novembro. Em terceiro lugar surge o Bloco de Esquerda (8,5%), logo seguido do Chega (7,7%), CDU (5,7%), PAN (4,7%) e Iniciativa Liberal (3,5%), que consegue o seu melhor resultado desde julho.

O barómetro da Aximage para o JN, DN e TSF (que é depositado na ERC, que depois o torna acessível ao público, de forma transparente) inclui um mapa com as transferências de voto, que dá algumas pistas sobre o que está a acontecer ao eleitorado do CDS. Assim, os eleitores que dizem ter votado nos centristas nas legislativas de outubro de 2019, estão agora a dar o seu voto ao Chega, ao PSD e à Iniciativa Liberal. Esta parece ser a verdadeira explicação para a atual irrelevância do CDS nas sondagens.

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