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SOS Educação rejeita críticas à participação de crianças em "manifs"

SOS Educação rejeita críticas à participação de crianças em "manifs"

O movimento SOS Educação rejeitou hoje, terça-feira, as críticas do PS e do Governo sobre a utilização de crianças em manifestações contra os cortes no financiamento público aos colégios com contrato de associação com o Estado.

"São declarações graves e lamentáveis", disse à agência Lusa Luís Marinho, do Movimento SOS Educação, na sequência da acusação feita na segunda-feira pelo PS, no Porto, sobre a existência de um plano que envolve a manipulação de alunos, pais e encarregados de educação contra o novo sistema de financiamento do ensino particular e cooperativo.

Luís Marinho alegou que o SOS Educação é um movimento cívico composto apenas por pais e encarregados de educação e lamentou que o Governo e o partido que o apoia façam tais declarações.

O PS assumiu a posição durante uma conferência de imprensa conduzida pela vice-presidente do grupo parlamentar Paula Barros e pelo coordenador para a área da Educação, Bravo Nico, mas já na semana passada a ministra Isabel Alçada tinha criticado a presença de crianças nos protestos.

"Os governos, na generalidade dos casos, gostam de ter cidadãos divididos e de preferência ignorantes, mas este não é o caso", defendeu Luís Marinho, acrescentando que a idade média dos pais destas crianças ronda os 30/40 anos.

"Já ninguém viveu o pré-25 Abril. Viveram todos em liberdade, são pessoas organizadas e sem medo de se manifestar. Era o que nos faltava o Governo vir também impedir-nos o direito de indignação e do manifesto", declarou.

Para este pai, é natural que filhos, pais e avós tenham participado em contestações durante a campanha eleitoral: "Estava lá a família toda. Era o que faltava eu não poder levar a minha filha para uma manifestação de alta dignidade, muito pacífica, foram sempre manifestações digníssimas".

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Luís Marinho garantiu que continuará a levar a filha e toda a família.

Hoje, a forma de protesto escolhida foi levar 93 caixões para a porta do Ministério da Educação, tantos quantos os estabelecimentos de ensino com contrato de associação com o Estado.

As acções são promovidas por pais e encarregados de educação de alunos destas escolas, que se juntaram ao movimento SOS Educação.

Segundo Luís Marinho, a medida é injusta, pelo que pretendem entregar um manifesto no Ministério da Educação.

Antes, concentraram-se no Saldanha entre as 11 e as 11.30 horas.

Em vigor desde o final do mês passado, o diploma que altera o regime dos contratos de associação entre o Estado e o ensino particular e cooperativo reduz os apoios do Estado àquelas escolas. O Ministério diz que a verba definida, de 80 080 euros, corresponde ao financiamento do ensino público de nível e grau equivalente. As associações dizem que esse valor é insuficiente e deveria ser de 90 mil euros.

O SOS Movimento Educação argumenta que, segundo dados fornecidos pelo Governo à OCDE, cada aluno que frequenta uma escola com contrato de associação custa ao estado cerca de 4200 euros por ano, enquanto na escola estatal, o mesmo aluno custa 5200 euros anuais.

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