Conselhos úteis

"Super-spreader" ou supertransmissões de covid-19 numa comunidade

"Super-spreader" ou supertransmissões de covid-19 numa comunidade

A supertransmissão ocorre quando um único indivíduo gera múltiplos casos secundários em número muito superior ao esperado para uma determinada doença.

Por exemplo, para a covid-19 estimava-se no início da pandemia que um indivíduo infetasse em média duas a três pessoas, mas houve registo de algumas situações em que um único caso gerou dezenas de casos adicionais.

A disseminação de um vírus numa comunidade depende de uma série de fatores: proporção de indivíduos imunes, das manifestações clínicas da própria doença, do indivíduo e seus comportamentos sociais, familiares e profissionais e, finalmente, do ambiente onde ocorre a exposição.

Se a apresentação clínica de doença for muito súbita e exuberante, a probabilidade de o indivíduo recorrer precocemente aos serviços de saúde é maior. A partir do momento em que o diagnóstico é feito, são implementadas as medidas de saúde pública e a cadeia de transmissão é interrompida, desde que o doente cumpra as recomendações.

É mais difícil identificar a doença perante ausência de sintomas ou na presença de sintomas ligeiros, habitualmente não valorizados pelo próprio. Nessa situação o doente pode ser contagioso, sem o saber. Poderá nessa fase ter comportamentos de proximidade com outras pessoas e transmitir a doença. Essa transmissão dependerá da contagiosidade do indivíduo, período em que dura o contágio e dos seus comportamentos.

Um indivíduo que tenha uma vida social ativa, que tenha um emprego que promova muitas viagens ou contactos com muitas pessoas, ou um contexto familiar alargado com eventos frequentes, terá maior risco de transmitir a doença a muitas pessoas.

O contexto em que a exposição ocorre tem igualmente uma grande importância. Se a exposição ocorrer num grande evento, num festival, num cruzeiro, terá uma dimensão diferente do que se ocorrer num escritório onde trabalham duas pessoas ou numa casa onde vivem três pessoas.

A existência de supertransmissores pode acelerar a taxa de novas infeções e expandir substancialmente a distribuição geográfica da doença. A boa notícia é que, com as práticas corretas de distância física, etiqueta respiratória, lavagem das mãos, uso de máscaras, isolamento do doente e dos seus contactos - a taxa de transmissão pode ser reduzida e as epidemias controladas e interrompidas.

Devemos focar-nos em evitar situações promotoras de supertransmissão e assumir permanentemente uma atitude defensiva, como se fossemos todos potenciais doentes e pudéssemos a cada momento colocar em risco quem está ao nosso lado. E claro, quem está doente tem de cumprir à risca as recomendações das autoridades de saúde.

Pneumologista

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